O TEATRO DA DELICADEZA - GABRIEL VILLELA

Trajétória desse diretor de muita sensibilidade e criatividade



Comments: Sábado, Agosto 08, 2009




Crítica/DVD/Série

"Capitu" traduz para TV modo de narrar de Machado de Assis Minissérie global dirigida por Luiz Fernando Carvalho sai com extras em DVD

GABRIEL VILLELA
ESPECIAL PARA A FOLHA

Luiz Fernando Carvalho disse que procurou um modo "inconfiável" de narrar ao fazer sua "Capitu", o que, segundo ele, é como Machado de Assis escreve. Esse jeito traz à tona inúmeras questões além da maneira de narrar: a simultaneidade de tempo e espaço, a diferença entre verdade e mentira, a estética como formação educacional.
Vou falar mais em como o diretor consegue traduzir na tela o que o autor fez em romance.
Essa desconfiança no caráter dos narradores é uma ferramenta irônica com que Machado opera em seus livros. Carvalho faz o espectador desconfiar de Bentinho, o que é um mérito, pois toda a trama decorre sob o ponto de vista deste personagem. Não temos outra opinião sobre os fatos, só a dele.
Esse talvez seja um dos segredos de Machado: a verdade nunca é revelada, porque ela é relativa, está sempre sujeita a um ponto de vista ou a alguns.
A verdade talvez esteja entre as coisas, não no seu meio, mas nos interstícios, nos espaços vazios, que ficam entre as palavras que dizemos ou escrevemos, nas frestas entre as cortinas e no verso/avesso dos espelhos, que nunca conseguem refletir tal e como uma coisa é.
Criar histórias dentro de uma história, criar ficção a partir da realidade e desviar a nossa atenção dela para outras nuances possivelmente é um caminho que nos leve a compreender melhor as contradições da condição tragicômica do ser humano de que fala Machado: da ópera burlesca, barroca e mal acabada que é a vida.
O diálogo com o tempo é outra característica de Machado.
Por sua vez, o diretor, hábil manipulador de lentes, marionetes, sentimentos e espelhos, consegue manejar o tempo e o espaço de maneira surpreendente e comovente na tela.
O anacronismo que é mostrado colocando Dom Casmurro e o jovem poeta no trem para a Central no começo da série nos tempos de hoje, com Jimi Hendrix ao fundo, é menos para situar o espectador sobre a linha cronológica do tempo e mais para colocar uma lupa na possibilidade de que talvez nós todos tenhamos todos os tempos dentro de cada um de nós.
Carvalho mistura as épocas, funde "as gentes", edita espaços, como Machado fazia, com suas digressões irônicas, seus flashbacks, revelando a cabeça atormentada de Dom Casmurro. Tudo passa pela mente de Bentinho, que talvez mude algumas peças do jogo para seu e nosso deleite e desespero.
Todo esse caminho talvez não fizesse sentido se não repousasse sobre um compromisso moral do diretor. Wittgenstein dizia, grosso modo, que ética e estética são iguais, porque procuram a mesma coisa: a virtude. E a virtude pode vir pelo que é belo na estética.
Carvalho faz obra de arte na tela, convoca o brio do espectador para que ele não aceite nada mastigado, mas que mastigue com Casmurro (e com eles, Machado e Carvalho), que o espectador seja um ruminante com quatro estômagos para que ele seja partícipe da criação da fábula e da criação de sua própria vida como cidadão.
GABRIEL VILLELA é diretor de teatro

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CAPITU
Distribuidora: Som Livre/Globo Marcas; R$ 64,90, em média
Classificação: livre
Avaliação: ótimo
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0808200923.htm

postado por: NANDA ROVERE 5:31 PM


Comments: Segunda-feira, Agosto 03, 2009



O que vem por aí
Arlindo Cruz





Publicado em 02/08/2009 Fale conosco RSS Imprimir Enviar por email Receba notícias pelo celular Receba boletins Aumentar letra Diminuir letra Música 1

Celebrando 30 anos de carreira, o cantor e compositor Arlindo Cruz (foto 1) chega a Curitiba no próximo dia 13 de agosto, para lançar seu novo CD e DVD MTV ao Vivo no Grande Auditório do Teatro Positivo.

Marcos Hermes/Divulgação


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M. Rossi/Divulgação


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Divulgação


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Serviço:

Arlindo Cruz. Teatro Positivo – Grande Auditório (R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300), (41) 3315-0002. Dia 13 de agosto, às 21 horas. Ingressos a R$ 120 (platéia inferior) e R$ 100 (platéia superior). Meia-entrada para estudantes, idosos, professores e doadores de sangue. Classificação indicativa: 18 anos.

Música 2: Zé Ramalho

O cantor e compositor paraibano Zé Ramalho (foto 2) volta à capital paranaense no dia 15 de agosto, para apresentar, no Curitiba Master Hall, o show referente ao CD/DVD Tá Tudo Mudando, em que interpreta, em português, canções de Bob Dylan.

Serviço:

Zé Ramalho. Curitiba Master Hall (R. Itajubá, 143), (41) 3315-0808. Dia 15 de agosto, às 21 horas. Ingressos a R$ 60 e R$ 30 (estudantes, idosos, professores, doadores de sangue e doadores de um quilo de alimento não-perecível). Classificação indicativa: 16 anos.

Teatro: Vestido de Noiva (foto 3)

Gabriel Villela (Salmo 21 e Calígula) dirige a peça fundadora do teatro moderno brasileiro, em que se entrelaçam os planos real, da memória e da alucinação.

Serviço:

Guairão (Pça. Santos Andrade, s/nº), (41) 3315-0979. Texto de Nelson Rodrigues. Com Marcello Antony, Leandra Leal e Vera Zimmerman. Dias 11 e 12 de setembro. R$ 70, R$ 60 e R$ 40 (desconto de 25% para Assinantes da Gazeta do Povo e portadores do Cartão Fidelidade Teatro Guaíra). Abertura da bilheteria dia 2 de agosto.


http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=910590&tit=Arlindo-Cruz



postado por: NANDA ROVERE 10:19 PM




03/08/2009 - 09:05 PORTO ALEGRE AGENDA TEATRO Espetáculo Vestido de Noiva no Theatro São Pedro

PORTO ALEGRE AGENDA TEATRO
Espetáculo Vestido de Noiva no Theatro São Pedro





Depois de Salmo 91 e Calígula, o diretor Gabriel Villela leva ao palco Vestido
de Noiva, de Nelson Rodrigues, peça considerada marco inicial do moderno
teatro brasileiro, encenada pela primeira vez em 1943 por Ziembinski.
A montagem é uma combinação de estilos dramáticos.
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A protagonista Alaíde (Leandra Leal) é uma mulher que vive um triângulo amoroso
com seu marido Pedro (Marcello Antony) e sua irmã Lúcia (Vera Zimmermann).
Depois de uma discussão com Lúcia, Alaíde é atropelada. Desacordada, alternando
entre o sonho e a realidade, ela revive passagens de sua vida: o dia de seu
casamento, o suposto assassinato que cometeu contra seu marido e os planos
de Pedro e Lúcia de matá-la. Essas lembranças e alucinações são conduzidas
pela figura de Madame Clessi (Luciana Carnieli), uma prostituta idolatrada por Alaíde.
A mente da protagonista é povoada ainda pelas figuras da mãe, dos médicos,
dos jornalistas que cobrem o acidente, das prostitutas do bordel de Clessi -
personagens vividos pelos outros seis atores do elenco.
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Polêmica desde a época da primeira montagem, Vestido de Noiva integra,
segundo o professor e Dr. Sábato Magaldi, estudioso de Nelson Rodrigues,
a série de peças psicológicas do dramaturgo, com uma linguagem forte
que transporta para o palco a profunda angústia presente nos textos do autor,
que chocam e emocionam o público há gerações pelo modo cru e abrupto
de retratar a realidade velada da classe média carioca.
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Realidade, memória e alucinação
Estruturado em três planos intercalados que remetem a diferentes dimensões:
realidade, memória e alucinação. Em um constante jogo entre realidade
e alucinação, questiona-se a distorção e a subjetividade da realidade,
bem como as fronteiras entre o real e onírico.
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No que se refere aos três planos, o diretor Gabriel Villela não segue a proposta
arquitetônica de Santa Rosa, cenógrafo da montagem original de Ziembinski
dos anos 40. Gabriel privilegia o trabalho de ator e o texto. A passagem para cada
um dos planos recai mais sobre a capacidade dos atores de contar a história
do que a cenografia em si. “Os três planos estão presentes originalmente
de acordo com as rubricas do autor. O palco só não está dividido em três níveis.
A condução do pensamento do espectador para cada um deles se dá por meio
de outros artifícios que não sejam oriundos da cenografia, principalmente através
da interpretação e da luz”, afirma o diretor.
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Escrita por Nelson Rodrigues em três atos, a encenação de Gabriel tem dois atos,
divididos por um intervalo de 15 minutos.
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“Vestido de Noiva”
:: Onde : Theatro São Pedro
:: Endereço: Praça Marechal Deodoro s/n
:: Temporada : de 21 a 23 de Agosto de 2009 | Sex e Sáb 21h, Dom 18h
:: Ingressos:
- Platéia: 90,00
- Camarote Central e Cadeira Extra: 80,00
- Camarote Lateral: 60,00
- Galerias: 40,00
:: Mais informações : (51) 3227-5300.

http://www.sortimentos.com/rs/porto-alegre-agenda-vestido-de-noiva-theatro-sao-pedro.htm

postado por: NANDA ROVERE 8:23 PM




segunda-feira, 3 de agosto de 2009 - 10:33h
Vestido de Noiva em cartaz no Teatro Municipal de Santo André

Marcello Antony, Leandra Leal, Vera Zimmermann, Luciana Carnieli, Pedro Henrique Moutinho, Rodrigo Fregnan, Cacá Toledo, Helô Cintra, Maria do Carmo Soares e Flávio Tolezani integram o elenco. Texto de 66 anos faz parte do rol das peças psicológicas do dramaturgo

Depois de Salmo 91 e Calígula, o diretor Gabriel Villela leva ao palco Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, peça considerada marco inicial do moderno teatro brasileiro, encenada pela primeira vez em 1943 por Ziembinski. A montagem é uma combinação de estilos dramáticos. Com Marcello Antony, Leandra Leal, Vera Zimmermann, Luciana Carnieli, Maria do Carmo Soares, Pedro Henrique Moutinho, Rodrigo Fregnan, Cacá Toledo, Helô Cintra e Flávio Tolezani. O espetáculo faz apresentações nos dias 08 e 09 de agosto no Teatro Mun. de Santo André.

Polêmica desde a época da primeira montagem, Vestido de Noiva integra, segundo o professor e Dr. Sábato Magaldi, estudioso de Nelson Rodrigues, a série de peças psicológicas do dramaturgo, com uma linguagem forte que transporta para o palco a profunda angústia presente nos textos do autor, que chocam e emocionam o público há gerações pelo modo cru e abrupto de retratar a realidade velada da classe média carioca.

A protagonista Alaíde (Leandra Leal) é uma mulher que vive um triângulo amoroso com seu marido Pedro (Marcello Antony) e sua irmã Lúcia (Vera Zimmermann). Depois de uma discussão com Lúcia, Alaíde é atropelada. Desacordada, alternando entre o sonho e a realidade, ela revive passagens de sua vida: o dia de seu casamento, o suposto assassinato que cometeu contra seu marido e os planos de Pedro e Lúcia de matá-la. Essas lembranças e alucinações são conduzidas pela figura de Madame Clessi (Luciana Carnieli), uma prostituta idolatrada por Alaíde. A mente da protagonista é povoada ainda pelas figuras da mãe, dos médicos, dos jornalistas que cobrem o acidente, das prostitutas do bordel de Clessi - personagens vividos pelos outros seis atores do elenco.

Realidade, memória e alucinação
Estruturado em três planos intercalados que remetem a diferentes dimensões: realidade, memória e alucinação -, o texto é essencialmente freudiano, já que os planos da alucinação e da memória se passam no subconsciente da personagem. Em um constante jogo entre realidade e alucinação, questiona-se a distorção e a subjetividade da realidade, bem como as fronteiras entre o real e onírico.

No que se refere aos três planos, o diretor Gabriel Villela não segue a proposta arquitetônica de Santa Rosa, cenógrafo da montagem original de Ziembinski dos anos 40. Gabriel privilegia o trabalho de ator e o texto. A passagem para cada um dos planos recai mais sobre a capacidade dos atores de contar a história do que a cenografia em si. "Os três planos estão presentes originalmente de acordo com as rubricas do autor. O palco só não está dividido em três níveis. A condução do pensamento do espectador para cada um deles se dá por meio de outros artifícios que não sejam oriundos da cenografia, principalmente através da interpretação e da luz", afirma o diretor.

Escrita por Nelson Rodrigues em três atos, a encenação de Gabriel tem dois atos, divididos por um intervalo de 15 minutos. "O primeiro e segundo atos da peça acontecem o tempo inteiro dentro da alucinação. A realidade que às vezes penetra nesse mundo se dá por informações pontuais, como os sons do acidente, os batimentos cardíacos da personagem enquanto o médico a está operando. Mesmo assim, os dois mundos estão muito interligados, interpenetrados e intersecionados", explica.

Os personagens e seus intérpretes
É a primeira em vez que Marcello Antony e Leandra Leal são dirigidos por Gabriel Vilela. O convite aos atores veio da novela Ciranda de Pedra, na qual contracenavam com o produtor do espetáculo, Claudio Fontana. A eles se uniram as veteranas de parceria Vera Zimmermann, com quem Gabriel já trabalhou seis vezes, e Luciana Carnieli, que está em sua quarta peça com o diretor.

Apaixonada pela obra de Nelson Rodrigues desde os 15 anos, Leandra Leal conta que sempre teve o desejo de interpretar um personagem do escritor. "Fiz um papel que me diziam ser muito rodrigueano na novela Pecado Capital, em 1998. Nessa época, li a obra completa de Nelson e tive a certeza de que faria alguma peça dele. E agora chegou a hora, duplamente - interpretei ano passado Ritinha [no filme Bonitinha mas Ordinária, de Moacyr Góes] e este ano Alaíde. Fico muito feliz por fazer esses dois papéis, mas há ainda vários outros personagens dele que gostaria de interpretar", revela a atriz.

"Os personagens rodrigueanos são muito densos e têm desejos muito grandes. Nelson constrói narrativas baseadas no desejo e no seu impedimento. Para o ator, é muito rica essa questão de luta interna dos desejos versus o social e a moral. Ao mesmo tempo, são desejos humanos, possíveis. Essa história é uma disputa clássica entre irmãs. As duas sempre tiveram conflitos, e Pedro foi o ícone disso, que acabou por desencadear um final trágico", conta Leandra.

Vera Zimmermann, que encarna a irmã Lúcia, defende que sua personagem é "uma vilã com justa causa". "Há uma tendência natural de sempre acabarmos defendendo o personagem, mas particularmente acho que Lúcia foi traída primeiro. A irmã roubou todos os seus namorados e, inclusive, o homem da sua vida. Por ter se sentido traída e roubada tantas vezes, Lúcia se tornou uma pessoa vingativa, uma vilã", afirma Vera.

A atriz conta que esse é um dos seus maiores desafios como atriz. "Lúcia vai aos poucos se desvelando, sofre uma transformação do primeiro para o segundo ato. São quase dois personagens em cena. No início do espetáculo, Alaíde não sabe quem é essa mulher de véu, que está ali como um vulto. No final do segundo ato, lembra que a mulher do véu é Lúcia, e acontece um grande embate entre as irmãs. Construir a linha entre essas passagens é uma grande tarefa", diz ela.

O objeto de disputa das duas irmãs é Pedro, vivido por Marcello Antony. "Pedro é um cara muito cínico, malandro. Casa com uma das irmãs, mas tem a outra como amante. Claro que essa também é a visão de Alaíde, porque é ela quem preside a trama, mesmo depois de sua morte. Mas, como a peça transita o tempo todo entre realidade e alucinação, possibilita várias interpretações. É uma peça atemporal, que pode ser lida daqui a 60 anos e ainda vai dar margem para muitas leituras", considera o ator.

Marcello diz que o convite para a peça coincidiu com a intenção de se dedicar integralmente ao teatro este ano. "No final do ano passado, estava procurando um texto para encenar. Procurei de tudo, mas nada me agradava. De repente, aconteceu este convite e era tudo o que eu queria", conta. "Minha base toda é no teatro, essa é a minha 15a peça. Fiquei 12 anos em televisão e agora estou me permitindo tirar um ano para o teatro, como inspiração e renovação, porque o teatro abre todas as possibilidades para o ator", afirma.

Acompanhando as desventuras desse trio central está Madame Clessi, personagem interpretada por Luciana Carnieli que norteia a viagem mental de Alaíde. Circundada por uma aura de glamour e beleza, Clessi é uma prostituta do começo do século, da Belle Époque. Uma mulher completamente apartada da sociedade pela sua condição de prostituta, ao mesmo tempo em que é muito influente, por ser rodeada de homens poderosos. Clessi sofre uma morte trágica - vestida de noiva, é assassinada por seu amante de 17 anos. Segundo Luciana, para Alaíde "Clessi é um ídolo, a imagem da mulher liberal que a faz sair um pouco da sua vida burguesa".

Sobre o diretor
Diretor, cenógrafo e figurinista, Gabriel Villela estudou direção teatral na USP e iniciou sua carreira em 1989 com Você Vai Ver o que Você Vai Ver, de R. Queneau, e O Concílio do Amor, de O.Panizza. Ganhador de diversos prêmios, como Molière, Prêmio Sharp, Shell, Troféu Mambembe, cinco APCA, Prêmio APETESP e PANAMCO, Gabriel já encenou Heiner Muller (Relações Perigosas), Calderón de la Barca (A Vida é um Sonho), William Shakespeare (Romeu e Julieta), Nélson Rodrigues (A Falecida), Arthur Azevedo (O Mambembe), Strindberg (O Sonho) e João Cabral de Melo Neto (Morte e Vida Severina). Depois veio a trilogia de musicais de Chico Buarque para o TBC: Ópera do Malandro, Os Saltimbancos e Gota D'Água.

Dirigiu também A Ponte a Água de Piscina, de Alcides Nogueira, ganhador de três Prêmios Shell, em 2002. Em 2004 montou Fausto Zero, do escritor alemão J.W. Goethe, com a qual esteve na Rússia. Em 2006 , montou Esperando Godot. Em 2008, foi premiado com a peça Salmo 91, tornando-se um dos mais renomados diretores teatrais com reconhecimento internacional. No mesmo ano montou Calígula. Com o Grupo Galpão (Romeu e Julieta e A Rua da Amargura), foi convidado para uma temporada no Globe Theatre, em Londres, uma reconstrução do teatro original em que Shakespeare encenava seus textos, no século XVI, conquistando a crítica e o exigente público londrino.

Ficha Técnica:
Texto: Nelson Rodrigues. Direção e figurinos: Gabriel Villela. Cenografia: J.C. Serroni. Elenco: Leandra Leal, Marcello Antony, Vera Zimmermann, Luciana Carnieli, Maria do Carmo Soares, Pedro Henrique Moutinho, Rodrigo Fregnan, Cacá Toledo, Helô Cintra e Flávio Tolezani. Produção Executiva: Claudio Fontana. Produção Local: C.A. Produções.

Serviço

Teatro Municipal de Santo AndréPraça IV Centenário, s/nº - Centro
475 Lugares / Ar condicionado/ Estacionamento

Dia: 08 e 09 de Agosto
Horário: Sábado - 21 horas / Domingo -19 horas
Duração do espetáculo: 100 minutos. / Indicação: 14 anos.

Bilheteria: Aberta a partir de 28 de julho Terça a sábado das 14h às 19h e domingo das 15h às 19h, ou até o início dos espetáculos.

Preços dos ingressos

Inteira: R$ 60,00

Antecipada: R$ 50,00

Promoção: R$ 40,00

Meia: R$ 30,00
Estudantes, aposentados, idosos acima de 60 anos e professores da rede estadual.

Em qualquer situação de desconto
Obrigatória a identificação: No ato da compra e na entrada do teatro, estudante apresentar boleto original do mês.

Informações
4433-0789 / 2093-3176
www.caproducoes.com.br


Inclua essa notícia em seu Blog / Site

http://www.mauavirtual.com.br/noticias_det.asp?id=13538

postado por: NANDA ROVERE 8:19 PM




8/3/2009
Peça “Vestido de Noiva” de Nelson Rodrigues, traz grande elenco à região



Divulgação


Depois de Salmo 91 e Calígula, o diretor Gabriel Villela leva ao palco Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, peça considerada marco inicial do moderno teatro brasileiro, encenada pela primeira vez em 1943 por Ziembinski. A montagem é uma combinação de estilos dramáticos. Com Marcello Antony, Leandra Leal, Vera Zimmermann, Luciana Carnieli, Maria do Carmo Soares, Pedro Henrique Moutinho, Rodrigo Fregnan, Cacá Toledo, Helô Cintra e Flávio Tolezani. O espetáculo faz apresentações nos dias 08 e 09 de agosto no Teatro Municipal de Santo André.
A protagonista Alaíde (Leandra Leal) é uma mulher que vive um triângulo amoroso com seu marido Pedro (Marcello Antony) e sua irmã Lúcia (Vera Zimmermann). Depois de uma discussão com Lúcia, Alaíde é atropelada. Desacordada, alternando entre o sonho e a realidade, ela revive passagens de sua vida: o dia de seu casamento, o suposto assassinato que cometeu contra seu marido e os planos de Pedro e Lúcia de matá-la. Essas lembranças e alucinações são conduzidas pela figura de Madame Clessi (Luciana Carnieli), uma prostituta idolatrada por Alaíde. A mente da protagonista é povoada ainda pelas figuras da mãe, dos médicos, dos jornalistas que cobrem o acidente, das prostitutas do bordel de Clessi - personagens vividos pelos outros seis atores do elenco.
O teatro Municipal fica na praça IV Centenário, s/nº - Centro. Os ingressos R$ 60,00 (inteira), R$ 30 (meia).

http://www.jornalabcreporter.com.br/noticia_completa.asp?destaque=5902

postado por: NANDA ROVERE 7:13 PM


Comments: Terça-feira, Julho 28, 2009



Vestido de Noiva fica em cartaz até 2 de agosto no Teatro Vivo

Escrever sobre os espetáculos de Gabriel Villela, como jornalista, não é fácil. A função de separar o emocional do profissionalismo, quando admiramos muito uma pessoa, é complicado.
Vestido de Noiva , assim como os demais espetáculos do diretor, foi esperado e a sua criatividade para conduzir a encenação de uma das obras mais importantes do teatro é perceptível em todos os momentos da peça.
Demorei para expor algumas observações porque as cenas são tão impactantes que descrevê-las é tirar do espectador o prazer da descoberta.
Não vou me ater a uma análise profunda porque já saíram textos interessantes na mídia (Estadão, por exemplo). Além disso, toda a montagem é permeada de referências à época em que a peça acontece e visualizar o trabalho primoroso de cenário, figurino, elementos de cena, entonação dos atores, etc, é um dos deslumbres de Vestido de Noiva. Matérias reunidas no www.oteatrodadelicadeza.blogger.com.br


A tragicidade da obra é permeada por pitadas de humor que Gabriel sempre coloca nos seus trabalhos.
A trama vai se delineando até atingir o ápice nas cenas de enfrentamento das irmãs, bem construídas pela direção e vividas com vigor pelas excelentes Leandra Leal e Vera Zimmermann.
A escolha da não-divisão entre a memória, alucinação e realidade no palco contribui para que a montagem seja dinâmica e a luz, interpretação dos atores e movimentações em cena delimitam a diferenciação dos três planos.
Toda a indumentária, trilha sonora e fala dos personagens diferenciam os diversos momentos em que a memória de Alaíde recria, ora fracionada, ora tal qual aconteceram, as situações que ocasionaram a sua morte. Além disso, contribuem para ambientar a história no início do século (época em que viveu Madame Clessi) e nos anos, em que a trama acontece.
O cenário de tons escuros de Serroni delineia com perfeição a morte iminente de Alaíde e seu espírito inquieto perante as lembranças do passado.
O figurino é um dos destaques da montagem. Gabriel trabalha com simbologias que colaboram para que o público se envolva com a história, como o véu permeando as vestimentas dos personagens.
A trilha é primorosa e dá vigor à encenação. Tem como destaque a canção Tango de Alaíde (Daniel Maia e Rodrigo Fregnan), na belíssima interpretação de Nábia Villela.
A mudança na tonalidade de voz de Vera Zimmermann ( Lucia com o véu e sem ele) exemplifica primoroso cuidado de Gabriel em salientar a confusão mental de Alaíde no hospital.
O elenco é competente e o temperamento intempestivo e sarcástico permeia todos os personagens.
Referências ao espetáculo Café Muller, da coreógrafa alemã Pina Bausch, numa homenagem a Antunes Filho (que já dirigiu pérolas de Nelson Rodrigues) promovem um tom expressionista, que contrasta (positivamente) com o espírito brasileiro da montagem. Brasilidade, aliás, presente especialmente nas interpretações de Maria do Carmo Soares, Marcelo Antony e Luciana Carnielli, que, assim como todo o elenco, dão um show em cena.
Nos trabalhos de Villela a criatividade atua em prol da valorização do texto, dos diálogos cortantes e viscerais.
Depois da temporada paulistana, Vestido de Noiva passará por cidades como Piracicaba, Santos e Curitiba. Vale a pena dar uma olhada na agenda cultural de sua cidade e prestigiar.
Atenção especial ao figurino e trilha sonora, de Gabriel Villela e Daniel Maia, respectivamente. Faltaram mais indicações, mas as que aconteceram já reconhecem o esmero da equipe.

Texto: Nelson Rodrigues.
Direção e figurinos: Gabriel Villela.
Cenografia: J.C. Serroni.
Elenco: Leandra Leal, Marcello Antony, Vera Zimmermann, Luciana Carnieli, Maria do Carmo Soares, Pedro Henrique Moutinho, Rodrigo Fregnan, Cacá Toledo, Helô Cintra e Flávio Tolezani. Produção Executiva: Claudio Fontana.






Esta cena em que, já no final da peça, Alaíde entrega o buquê à Lucia é muito interessante...
Foto retirada do site Terra

Teatro Vivo
Av. Dr. Chucri Zaidan, 860. Tel.: (11) 3188-4141
6.ª e sáb., 21h30; dom., 19h


postado por: NANDA ROVERE 3:09 PM


Comments: Quinta-feira, Julho 23, 2009



Vera Zimmermann, a veraz
Entrevista
Ter, 07 de Julho de 2009 13:57
Por Rodrigoh Bueno e Jarbas Homem de Mello




Veraz: [ve.raz - adj m+f (lat verace) 1 Que diz a verdade. 2 Em que há verdade; verídico. sup abs sint: veracíssimo] Dicionário Michaelis


Depois de 28 anos de trabalho no teatro, no cinema e na televisão, Vera Zimmermann reencontra nos palcos Nelson Rodrigues, o autor de sua primeira atuação. Em entrevista ao Jornal de Teatro, a atriz revela o que pensa sobre cada meio onde trabalha. E dispara: "Não há papel para mim no cinema brasileiro".

Jornal de Teatro - Há alguma diferença na sua visão de Nelson Rodrigues da primeira vez que você interpretou uma obra dele para agora, em cartaz com "Vestido de Noiva"?
Vera Zimmermann - Muita diferença. Quando eu comecei com Nelson eu não sabia nada de teatro e caí de pára-quedas naquela companhia maravilhosa (Espetáculo Nelson Rodrigues - O Eterno Reencontro, com direção de Antunes Filho). Aprendi coisas absolutamente incríveis. Eu era praticamente uma adolescente, mas, mesmo naquela época, já tinha alguma compreensão e curiosidade sobre o trabalho dele. Hoje tenho um aprofundamento maior do trabalho dele e do meu. Existe uma diferença imensa entre 1981 e 2009, e, claro, que eu já tinha visto várias coisas de Nelson, mas é diferente quando você vai fazer mais um espetáculo. Você estuda Nelson de outra maneira, principalmente junto com o Gabriel (Vilella) e toda nossa equipe, porque é um autor genial.


JT - Seu trabalho teatral conta com grandes autores. Você acha importante fazer os clássicos?
VZ - Acho fundamental. Graças a Deus, fiz vários espetáculos de autores clássicos, principalmente junto com o Gabriel. Ele tem essa necessidade de trabalhar com os gênios da dramaturgia universal. É um privilégio poder estudar um Fausto, Becket. Eu acho muito importante poder circular por todos esses tipos de cabeças que escrevem essas loucuras maravilhosas, que só acrescentam.


JT - Como começou a parceria de trabalho com o Gabriel Vilella?
VZ - "Vestido de Noiva" é o sexto espetáculo que faço com ele. Começou em 2000, quando a gente fez "Replay". Ele me chamou através de um amigo, Léo Pacheco, que trabalhava com ele e logo a gente se apegou. O Gabriel tem um pouco esse hábito de trabalhar novamente com os atores que ele tem afinidade. E eu tirei a sorte grande porque o Gabriel é um gênio, o tipo de teatro dele me interessa, a gente fala uma língua parecida.


JT - Você tem uma maneira particular de conduzir sua carreira, "toma as rédeas" das negociações..
VZ - Eu acho que no Brasil, infelizmente, a gente não tem agente que fica brigando por nós, o melhor agente somos nós mesmos. Agora, é óbvio que quando você está em evidência, precisa de um agente. Evidência que eu quero dizer é que você está na novela das oito na Rede Globo, porque daí todo mundo quer você e você precisa de alguém para atender seu telefone e suprir em tudo que as pessoas querem oferecer, convidar e não sei o quê. Agora, comigo, eu realmente que falo. Tenho muitas amizades, vendo meu peixe. Não é que eu não tenha agente e fico em casa parada, eu vou à luta, mostro minha disponibilidade, meu tempo e minha vontade de trabalhar com as pessoas. Se tem uma coisa que eu fiz, faço e vou fazer cada vez mais é estar em contato com esses profissionais. A gente tem que estar esperto nesse mercado competitivo.


JT - Qual sua relação com o cinema?
VZ - Acho cinema uma coisa meio complicada para fazer no Brasil para uma pessoa que tem meus traços físicos. A maioria dos filmes nacionais conta muita história do País, fala da pobreza, da favela, essas coisas. E eu, loira de olho azul, mesmo brasileira, acho que tenho um mercado restrito. Não há muito papel para mim no cinema brasileiro. Eu acho o cinema nacional maravilhoso, mas eu não tenho muito essa ilusão porque eu sei que não tenho cara de brasileira.


JT - Mesmo já atuando no teatro sua projeção no início da carreira veio mesmo da televisão?
VZ - Televisão é nosso ganha-pão e é um aprendizado de improviso. Não há tempo para se aprofundar no texto, a gente vai lá e faz. Ao mesmo tempo é um exercício muito difícil porque é imediato. Isso torna o trabalho muito legal, um desafio instigante e um ganha-pão - porque se a gente for depender só de teatro para sobreviver é complicado. A televisão me ajudou muito. Fazer a Divina Magda (na novela "Meu Bem, Meu Mal", da Rede Globo) foi um empurrão na minha vida, mas eu nunca deixei de ter a consciência de que eu precisava manter o trabalho no teatro, que eu não podia fazer só televisão. Na época da novela eu era muito jovem, tinha que aprender muita coisa. É o que eu tenho feito e vou fazer para o resto da vida: estudar e aprender.


JT - Ao falar de Vera Zimmermann é difícil esquecer a música "Vera Gata", do Caetano Veloso..
VZ - As pessoas falam "como você conheceu o Caetano?" e essa pergunta me arrepia, porque eu já a respondi milhão de vezes. Mas é uma honra eterna, não tem uma pessoa que não queria ter uma música feita pelo Caetano, um dos nossos melhores cantores, artistas e compositores.


http://www.jornaldeteatro.com.br/noticias/destaques/278-vera-zimmermann-a-veraz.html





postado por: NANDA ROVERE 3:27 PM


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segunda-feira, 20 de julho de 2009, 14:57 | Online


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Saem indicados do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo
"Raptada pelo raio" recebeu três indicações; Betty Faria e Fernanda Montenegro disputam o prêmio de atriz

Agência Estado
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SÃO PAULO - A organização do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo divulgou nesta segunda-feira, 20, os indicados para as nove categorias que premiam os melhores trabalhos do teatro paulista.


A peça "Raptada pelo raio" recebeu o maior número de indicações para o prêmio, que chega a sua 22ª edição. Além de concorrer na categoria Autor (Pedro Cesarino), o espetáculo foi indicado por melhor Cenário e Iluminação. Na disputa com Cesarino está Eduardo Ruiz ("Chorávamos terra ontem à noite").



Na categoria Ator, concorrem João Miguel ("Só"), e Eduardo Okamoto ("Eldorado"). Na categoria Atriz, disputam Fernanda Montenegro ("Viver sem tempos mortos"), Betty Faria ("Shirley Valentine"), e Juliana Galdino ("Comunicação a uma academia"). Foram indicadas apenas as peças que estrearam no primeiro semestre do ano.



Confira a relação completa dos indicados do primeiro semestre do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo:



Autor:

Eduardo Ruiz por "Chorávamos terra ontem à noite"

Pedro Cesarino por "Raptada pelo raio"



Direção:

Francisco Medeiros por "Réquiem"

Marco Antonio Rodrigues por "Querô , uma reportagem maldita"

Rodolfo García Vázquez por "Justine"



Ator:

Eduardo Okamoto por "Eldorado"

João Miguel por "Só"



Atriz:

Betty Faria por "Shirley Valentine"

Fernanda Montenegro por "Viver sem tempos mortos"

Juliana Galdino por "Comunicação a uma academia"



Cenário:

Daniela Thomas por "Viver sem tempos mortos"

Simone Mina por "Raptada pelo raio"



Figurino:

Gabriel Villela por "Vestido de noiva"

Inês Sacay por "Réquiem"



Iluminação:

Alessandra Domingues por "Raptada pelo raio"

Alessandra Domingues por "Só"

Rodolfo García Vázquez por "Justine"



Música:

Bruno Perillo por "Querô, uma reportagem maldita"

Daniel Maia por "Vestido de noiva"



Categoria especial:

Cia. São Jorge de Variedades pela pesquisa e criação do espetáculo "Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está, precisa se mexer"

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,premio-shell-de-teatro-anuncia-indicados-deste-ano,405577,0.htm

postado por: NANDA ROVERE 1:29 AM


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Som&Fúria

Minissérie de TV mostra os bastidores do universo teatral
Sobram divergências em relação à verossimilhança e à fidelidade do universo do teatro representado no seriado
16/07/09 às 18:39 | Agência Estado



(foto: Divulgação / Rede Globo) Toda caricatura é sempre uma oportunidade para reflexão. Dependendo da combinação de tintas, diferentes características são ressaltadas. Para que elas funcionem aos olhos de quem as contempla, é preciso que os defeitos e qualidades sejam ilustrados com certo exagero. É dessa maneira que os personagens do meio teatral têm encarado a minissérie "Som&Fúria", que estreou na Rede Globo no último dia 7: como um retrato romantizado e exagerado da classe. É um exercício de metalinguagem, o "povo" do teatro ilustrando o próprio ofício, ao mesmo tempo doloroso e prazeroso. Afinal, artistas são "a síntese e a crônica da humanidade", como diz o próprio Shakespeare, numa das falas de Hamlet.

Se por um lado, atores, diretores e produtores são unânimes em elogiar a qualidade da atuação dos personagens, e da direção e adaptação de Fernando Meirelles, por outro, sobram divergências em relação à verossimilhança e à fidelidade do universo do teatro representado no seriado. "É um luxo enorme termos um Shakespeare, as agruras de uma companhia de teatro e os tormentos dos atores exibidos na TV aberta. A série é crível e pertinente, mas não condiz com a realidade do País", diz o diretor Gabriel Villela, que já montou o espetáculo "Romeu e Julieta", de William Shakespeare, no Globe Theatre, teatro construído em 1599, que abrigava as peças do autor inglês em Londres.
A falta de compatibilidade do seriado com os parâmetros brasileiros ocorre justamente pelo fato de não termos aqui uma companhia integralmente estatal. "A representação dos pequenos grupos de teatro é fiel. Mas o conflito entre os menores e aquela companhia fixa do Municipal é arbitrário. Esse pêndulo não existe", confirma a crítica teatral Barbara Heliodora, uma das mais respeitadas especialistas e tradutoras das peças de Shakespeare no Brasil.

"Som&Fúria", dividido em 12 capítulos, é uma adaptação tropicalizada do seriado canadense "Slings&Arrows", concebido originalmente em 2003. Na série brasileira, que tem como pano de fundo a obra de Shakespeare, Oliveira (Pedro Paulo Rangel), um diretor decadente de uma companhia de teatro patrocinada pelo Estado, com sede no Teatro Municipal de São Paulo, morre atropelado por um caminhão frigorífico, lotado de presuntos, e, mergulhado no universo de Hamlet, passa a assombrar o novo diretor Dante (Felipe Camargo), então tutor de uma minúscula trupe que luta para não fechar as portas.

Se existe uma certa dificuldade para as pessoas que vivem o teatro conceberem uma companhia estatal aqui no Brasil, não se pode dizer o mesmo da tentativa do seriado de revelar ao público a diversidade do cotidiano que envolve a profissão. Surtos de estrelismos do diretor, cancelamentos de ensaios, fofocas e intrigas dentro do próprio elenco e conflito de egos. "É interessante para as pessoas verem como funciona esse universo, mesmo que as relações e os conflitos sejam apresentados de forma romantizada. Uma reflexão que o próprio teatro precisa fazer", diz o diretor Sérgio Ferrara. "É uma comédia inteligente, que vai de encontro à curiosidade das pessoas em relação aos bastidores. Acaba por mostrar que não vivemos em camarins cheios de plumas, e que tal atriz não pode ser incomodada por estar se concentrando", completa a atriz Denise Fraga.

Outro aspecto, abordado em forma de alegoria, é a falta de verba de pequenos grupos - em oposição às grandes companhias, cujos diretores artísticos vendem a arte como um mero produto. Enquanto alguns personagens alimentam o sonho de viver o teatro como um ofício essencialmente artístico, caso da jovem Kátia (Maria Flor), outros, como o inoperante diretor financeiro da companhia do Municipal, Ricardo da Silva (Dan Stulbach), manipulado por Graça (Regina Casé), buscam fazer dos palcos uma fábrica de dinheiro. "Infelizmente nós não temos uma companhia estável e fixa como a do seriado. Mas serve para recuperar uma discussão saudável sobre essa espécie de funcionalismo público que não é nada bom para o teatro", diz Sandra Corveloni, atriz de teatro , vencedora do prêmio de melhor atriz de cinema no Festival de Cannes ("Linha de Passe").

A discussão levantada por "Som&Fúria" em relação ao dilema vivido por muitos atores e diretores remete à famosa frase de Bertolt Brecht: "Primeiro vem o estômago, depois a moral." Diante da dificuldade e das condições extremas enfrentadas pelos que tentam fazer teatro no Brasil, muitos profissionais da área se identificam com o seriado e com a frase de Brecht por já terem se deparado com a encruzilhada de optar por exercer a arte em sua essência ou seguir pelo caminho mais fácil e se vender às demandas das tendências comerciais. "O retrato das pequenas companhias, que lutam feito loucas para sobreviver, é fiel. A crise econômica vai ajudar a separar o joio do trigo. Quem não quiser fazer teatro de verdade vai acabar pulando fora", diz Barbara Heliodora.

Heliodora tem sido, ao lado Gerald Thomas, alvo de muitos comentários no meio artístico. Os personagens Oswald Thomas (Antonio Fragoso) e Bárbaro (Ary França) são referências claras ao diretor e à crítica teatral. "Essa história de atirar na direção de A, B ou C não tem relevância para o desenvolvimento da trama. A tradução das peças é horrível, com uma linguagem sem elegância, mas acho que eles têm se saído bem. A série é positiva, tem me agradado", comenta Heliodora.

É na verdade o que se vê na minissérie, já que a obra de Shakespeare serve como uma cama para os atores esparramarem suas intrigas e angústias, a exemplo de Hamlet. Tanto o título em português, "Som&Fúria", quanto o em inglês, "Slings&Arrows" (Pedradas e Flechadas), ambos extraídos de solilóquios shakespearianos, resumem à perfeição as mazelas do universo teatral. "Não sei se atualmente é assim, mas quando eu comecei nesta carreira, em 1964, tinha muito disso, havia fofocas e passadas de perna", lembra a atriz Beatriz Segall. "Os climas, os ensaios são bem reproduzidos, o cotidiano dos atores ali representado é muito real", complementa o produtor de teatro Germano Baía, que, durante anos, foi o "braço direito" do ator Paulo Autran.

As belas atuações de Felipe Camargo - que renasce após um longo período de ostracismo -, Andréa Beltrão e Daniel de Oliveira contribuem para que o público, como se adentrasse as coxias do Municipal, possa ter contato com o aspecto humanista da atividade teatral, conhecendo o lado complexo e difícil de uma profissão cercada por uma aura de luxo e celebração. "É a melhor obra que já vi na TV sobre o cotidiano dos atores, uma grande contribuição para mostrar essa forma de arte", diz o dramaturgo Alcione Araújo.

"Som&Fúria" escancara manias, patologias e incompletudes dos artistas do teatro, estimulando a reflexão sobre o ofício, como se estivessem diante de um espelho que há muito não contemplavam. Mesmo sendo "um seriado sobre teatro, dirigido por um diretor de cinema, que é transmitido na televisão", como declarou o ator Pedro Paulo Rangel após o lançamento de "Som&Fúria", a minissérie se destaca por ser voltada para o público leigo. "Gosto da linguagem do Meirelles porque prevê o espectador, não é apenas uma piração egocêntrica de um cineasta", destaca o diretor Gabriel Villela. Embora o seriado tenha registrado índices de audiência abaixo do esperado - em parte pelo horário ingrato que lhe é reservado na grade - seria interessante ver o universo teatral e a obra de Shakespeare representados na televisão aberta em novas temporadas de "Som&Fúria", seguindo os passos de "Slings&Arrows".



http://www.bemparana.com.br/index.php?n=114643&t=minisserie-de-tv-mostra-os-bastidores-do-universo-teatral



postado por: NANDA ROVERE 1:10 AM


Comments: Domingo, Junho 21, 2009


Montagem dá vigor a clássico rodriguiano
Ao misturar os três planos da história, o diretor Gabriel Villela deixa a trama mais original

Macksen Luiz

SÃO PAULO

O caráter fundador de Vestido de noiva, que estabeleceu nos anos 40, não apenas surpreendente formalização dramatúrgica, mas iniciou a trajetória de Nelson Rodrigues como construtor de diálogos intensos e universo de obsessões oníricas, volta à cena no Teatro Vivo, em São Paulo, na versão de Gabriel Villela. Diretor com imagística própria, que cria quadros nos quais as lembranças de religiosidade ingênua se misturam a um gênero de representação popular. Num painel de imagens impositivas, Villela integra Nelson Rodrigues à sua máquina cênica.

A histórica concepção de Ziembinski, com cenografia de Santa Rosa, demarcou a cena em três planos – realidade, memória, alucinação – para contar os estertores de Alaíde, logo depois de ter sido atropelada. A atual montagem esquece as referências da estreia de 1943, e estabelece lírica delirante para a dança de vida e morte que vai ao encontro da musicalidade do ciúme e da traição. Os planos se misturam, quase que num só compasso, em sinfonia de dissonâncias afetivas, em que boleros, tangos e óperas sonorizam a trilha para os passos de personagens que evoluem melodramaticamente.

A arquitetura visual e sonora emoldura os três níveis narrativos como um jogo de espelhos que decompõe as imagens. Villela captura o som do popular sob o filtro do erudito, e a fúria dos sentimentos baratos liberada pela torneira de delicadeza poética. Destaca-se do invólucro formal, o substrato do texto, como se tivesse sido confrontado com a inconfundível intervenção do diretor, e ganho perspectiva, talvez menos "clara", mas certamente mais original. Gabriel Villela alcança Vestido de noiva ao capturar o imponderável do sonho, ao insistir na imaterialidade das evocações.

Os figurinos do próprio Gabriel são determinantes na construção desta visualidade etérea. Com roupas que lembram épocas diversas, que convergem masculino e feminino para uma mesma figura e que transmuda véu em nuvens e máscaras de plástico-bolha, os atores ressaltam, com ar decadentista e ambíguo, os impulsos dos personagens. O cenário espelhado de J.C.Serroni reúne num mesmo espaço de fantasia as semelhanças de uma moradia e de um prostíbulo, criando envolvência refletida, como se a plateia fosse também parte do que se passa no palco. A iluminação de Domingos Quintiliano sabe tirar partido da cenografia de espelhos, e a direção musical e música original de Daniel Maia se enquadram, tanto na seleção como na composição de sonoridade atritante, na partitura da encenação. Os diferentes níveis da narrativa são marcados pelo elenco com pequenas mudanças vocais e corporais, mas nem sempre se mostram suficientes para determinar em que plano o personagem está. Mas, sob esta linha da direção, os atores realizam, harmoniosamente, suas atribuições como dançarinos de movimentos dissimulados e como coro de vozes interiores desafinadas.

Leandra Leal é uma Alaíde com asas vermelhas, como um anjo caído de procissão interiorana que sobrevoa as angústias da personagem com a dubiedade das incertezas. Marcello Antony, um menestrel cínico e debochado, toca num violão quebrado a música de sua pusilanimidade. Vera Zimmermann modula, vocalmente e com convicção, a disputa com a irmã Alaíde. Luciana Carnieli, com ótima voz e boa presença, é uma Madame Clessi distante do clichê. Rodrigo Fregnan, Maria do Carmo Soares, Cacá Toledo, Fleavio Tolezani, Helô Cintra e Pedro Henrique Moutinho completam com eficiência o elenco desta montagem que revigora e, ao mesmo tempo propõe, outra visão do clássico rodriguiano.

Domingo, 17 de Maio de 2009 - 00:

jbonline.terra.com.br/.../montagem_da_vigor_a_classico_rodriguiano.asp



postado por: NANDA ROVERE 11:10 PM


Comments: Sexta-feira, Junho 12, 2009




MEU ESTILOLeandra Leal
Atriz, 26 anos


Por Dirceu Alves Jr.| 17.06.2009



Fernando Moraes


Jovem atriz carioca radicada em São Paulo, Leandra Leal supera um desafio que perturba muita estrela veterana: interpretar a personagem Alaíde da peça Vestido de Noiva, clássico de Nelson Rodrigues em cartaz no Teatro Vivo. Fruto de uma "produção independente" da atriz Angela Leal com o advogado Júlio Braz, ela vive na cidade desde 2003, ao lado do músico José Paes de Lira, o Lirinha. Adaptada ao ritmo paulistano, só se sente bem fazendo mil coisas ao mesmo tempo.

Como surgiu o convite para Vestido de Noiva?
Durante a novela Ciranda de Pedra, no ano passado. Quando gravamos o casamento da minha personagem, o Claudio Fontana (ator da novela e produtor do espetáculo) me viu de noiva e falou que eu poderia fazer a Alaíde. Tinha acabado de filmar Bonitinha, mas Ordinária, também de Nelson Rodrigues, cujo lançamento será no segundo semestre.

Você estreou na TV aos 12 anos. Houve cautela da parte de sua mãe?
Muita. Quem me matriculou em um curso de teatro foi meu pai. Eu era muito tímida. Sempre fui estudiosa, ótima aluna, mas tinha dificuldade de circular em outros meios.

Trabalhar cedo prejudicou sua adolescência?
Não. Existe uma consequência ruim. Eu me tornei hiperativa. Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo. Tanto que não consigo me concentrar com silêncio. Quando estudo, preciso de música, pelo menos.

Como lida com a hiperatividade?
Tento me policiar, mas sofro os efeitos. Minha taxa de colesterol é alta. Estava tranquila até dois meses atrás. Foi quando comecei a gravar Decamerão, um especial da Globo, de segunda a quinta, em Bento Gonçalves (RS).

Sobra tempo para malhar?
Malhar? Faço pilates. Tenho faculdade e pilhas de textos para ler. Curso artes do corpo na PUC. Há três anos, eu me matriculo em quatro matérias por período. Vou demorar para me formar.

Como começou sua relação com São Paulo?
Minha mãe foi criada em São Paulo, é corintiana e sempre gostei do Timão. Quando comecei a namorar o Lira, queria sair do Rio. Acho que todo mundo deve sair da cidade onde nasceu. Mas mantenho meu apartamento carioca na Gávea.

Do que mais você sente falta do Rio?
Da praia. Penso em encontrar um refúgio aqui perto, um sítio. Morar em frente ao Parque da Água Branca me dá uma aliviada. Caminho, vou à feira de alimentos orgânicos, compro minhas comidas. Só não consigo andar de bicicleta, como no Rio. Tenho vontade de pedalar no Minhocão, mas a poluição faz um mal danado para a pele.

Tem preocupações com a alimentação e a balança?
Nunca comi carne. Não sou uma mulher esquelética, magra. Tenho 1,68 metro e fico perto dos 60 quilos. Mas não me peso. Não vivo de publicidade. Se for fazer uma personagem bem magra, vou para a academia, assim como engordaria se o papel exigisse. Gosto de atuar, escrever, dirigir, organizar festas.

Organizar festas?
Adoro! Estou preparando uma no Vegas Club para comemorar o sucesso da peça. Saio muito à noite. E aqui em São Paulo mais ainda, porque não tem paparazzi como no Rio.

Qual é seu estilo para se vestir?
Garimpo coisas em brechós, em bazares, nos camelôs ou na Rua Oscar Freire. Gosto de misturar. Uso muitos acessórios e tenho uma coleção de chapéus. No dia a dia, prefiro jeans e vestidos. Só me maquio quando dá vontade. Gasto mais tempo cuidando do cabelo. Daqui a pouco vou ter de pintar de mais loiro ainda para uma filmagem.

Você tem uma tatuagem de coração nas costas. Não atrapalha para determinados papéis?
Fiz há dois anos. Na peça, como uso um vestido decotado, as pessoas reparam. Mas faço questão de não disfarçar.

E esse esmalte verde?
A cor é kiwi. Gosto de usar esmaltes diferentes. Acho que nunca pintei a unha de branquinho, francesinha. Só para alguma personagem. Por minha causa, o diretor Gabriel Villela fez todos os atores de Vestido de Noiva pintar as unhas de cores diferentes, inclusive os homens.

http://vejasaopaulo.abril.com.br/revista/vejasp/edicoes/2117/leandra-leal-476987.html





postado por: NANDA ROVERE 10:40 PM


Comments: Quinta-feira, Junho 11, 2009




Crítica/teatro/"Vestido de Noiva"

Villela potencializa Nelson Rodrigues

LUIZ FERNANDO RAMOS
CRÍTICO DA FOLHA

Uma peça revela sua eternidade cada vez que enseja montagens que a iluminam de novos ângulos. A encenação de "Vestido de Noiva" de Gabriel Villela potencializa aspectos do célebre texto de Nelson Rodrigues (1912-1980) que permaneciam latentes. De fato, o encenador resgata a audácia e o rigor de trabalhos que o consagraram e realiza uma leitura inventiva permanecendo absolutamente fiel à dramaturgia original.
A operação mais evidente de distanciamento do cânone associado à peça diz respeito à dissolução espacial dos três planos que a narrativa dramática de Nelson pressupõe -o da realidade do atropelamento da heroína, o da alucinação que sofre no seu coma hospitalar e o da sua própria memória, que permite a reconstituição dos fatos que antecederam o acidente.
Na primeira e histórica montagem, em 1943, a cenografia impôs uma separação estrita entre esses planos. Na atual, eles aparecem sintetizados em uma matéria cênica instável, modulada ora na sugestão de um jazigo para essa morta, anunciada desde a primeira cena, ora projetando o altar festivo de suas núpcias, evocadas no título da peça.

Antony surpreende
Nesta "festa nupcial sinistra", como a define Villela, as interpretações das atrizes e dos atores não poderiam coadunar-se em um registro naturalista, como se estivessem bem demarcadas em cada um dos três planos previstos. As falas curtas e inconfundíveis de Nelson Rodrigues estão lá, impecavelmente respeitadas.
Mas seus figurinos, e a forma como vão pronunciando suas linhas, embaralham-se como o próprio espaço cênico num registro híbrido em que os gêneros -masculino e feminino- e as instâncias de sua enunciação -alucinação e memória, realidade e fantasia- aparecem inexoravelmente fundidos.
É interessante perceber que as rubricas de Nelson autorizam essa leitura pela via do pastiche. Talvez o teatro de 66 anos atrás não aceitasse uma fusão tão radical. Mas, graças a ela, aspectos geniais do texto, como os momentos em que o dramaturgo brinca com a colagem de cenas alheias, citando a ópera "Traviata" e personagens de "...E o Vento Levou", ganham relevo sem precedentes.
A licenciosidade é também produtiva no uso que o espetáculo faz da música. Nelson pede a combinação das marchas fúnebre e nupcial, mas se vai muito além com a trilha de Daniel Maia. Boleros e tangos e pontuações oportunas de frases clássicas do cancioneiro da MPB permitem afastar os personagens do ambiente melodramático que sempre os restringe, levados a sério, a uma histeria patética. Mais soltos, e menos atormentados, até eventualmente cantando, eles arejam a alma do autor e revelam melhor sua face irônica e corrosiva.
O melhor exemplo é o de Marcello Antony, surpreendendo não só por cantar bem, mas pela interpretação mais próxima da pantomima do que da psicologia. Leandra Leal brilha com seu instinto de irreverência, à vontade nessa carnavalização da morte. Vera Zimmermann oscila entre a impostação e a leveza, e Luciana Carnieli é o grande destaque como Madame Clessi.
O cenário de J.C.Serroni é preciso no que permite a mobilidade espacial e a indeterminação de planos, mas exagerado em alguns detalhes figurativos que contrariam o espírito libertário da encenação. Esse "Vestido de Noiva" desvela um Nelson nosso contemporâneo.


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VESTIDO DE NOIVA

Quando: hoje e amanhã, às 21h30; sáb., às 21h; dom., às 19h; até 2/8.
Onde: Teatro Vivo (av. Chucri Zaidan, 860, Morumbi, tel.: 0/xx/11/ 7420-1520; R$ 30 a R$ 70)
Classificação: 14 anos

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1106200917.htm


postado por: NANDA ROVERE 2:47 PM


Comments: Quarta-feira, Junho 03, 2009



Marlene Bergamo/Folha Imagem




Marcello Antony em cartaz no teatro, diz que não faz comercial
em novela e vê preconceito na discussão sobre droga





Mônica Bergamo

bergamo@folhasp.com.br

Mantenha o respeito
O ator Marcello Antony diz que não faz comercial em novela para preservar seu "star quality" e que discutiria maconha se a sociedade não fosse tão "preconceituosa"

Fotos Marlene Bergamo/Folha Imagem

No camarim de marcello, fotos dos filhos
dividem o espelho com o bilhete da mulher,
Mônica, que assina como "Moranga"

"Marcello Antony, para mim, é como um sonho de consumo", diz a professora Naira Rodrigues, 39, uma das deficientes visuais que acompanharam a peça "Vestido de Noiva", com Marcello, no último dia 22.




No camarim, as colegas de elenco concordam. "Ele é o sonho de consumo de toda mulher. É inacreditável de bonito, talentoso, apetitoso e o resto não vou nem dizer...", arrisca Vera Zimmermann. "Ele é tão bonito que não precisa nem ver", diz Maria do Carmo Soares. "Marcello, separa o cheque [pelos elogios]!", grita Vera.




O ator, que fez fama em novelas da Globo, decidiu dedicar um ano ao teatro e vive o malandro Pedro na peça de Nelson Rodrigues, dirigida na atual montagem por Gabriel Villela, no teatro Vivo, em SP.




Aos 44 anos, 1,90 m, disse certa vez que "você é mais bonito pessoalmente" é a frase que esperava ouvir um dia de Deus. "Não é que eu me ache. Falei porque essa frase é recorrente, eu sempre escuto das pessoas", diz, no café de uma livraria nos Jardins, em SP, onde uma fã faz a mesma observação.




Marcello fez uma carreira tardia. Virou ator depois dos 30. Antes foi office-boy, garçom, vendedor e fez até mapa astral. Hoje, depois de 11 novelas, tem uma relação "muito sólida" com a Globo e, enquanto toma seu cappuccino, não quer nem comentar a possibilidade de ir para outro canal -como fez Mônica Torres, sua mulher há 12 anos, que hoje trabalha na TV Record.
"Eu sou muito ético. Como a maré da superficialidade, o esgoto da superficialidade é muito grande, qualquer declaração entra nesse esgoto e toma uma dimensão que foge do meu controle... Me dá uma preguiça!"




"Quando eu disse que ia fazer uma caminhada no Himalaia, já saiu [na imprensa] que eu estava chegando ao cume do Everest [esconde o rosto com as mãos]. Dá uma preguiça!"




Zeloso da imagem, Marcello conta que não participa de propaganda dentro de novela. "Para um veículo com a penetração que tem, o que se paga pra merchandising é ínfimo. Não gosto de me associar a nada só por "make money" [fazer dinheiro]. "Make money" é muito importante, mas [escolher] é um "star quality" [qualidade de estrela]. Gosto de me valorizar."




O "money" já foi mais importante. Marcello conta que, quando era mais novo, era "duro", não namorava. "Ficava com uma e outra", porque não tinha dinheiro para levar as garotas para sair. No casamento, diz, não há ciúme do assédio. "A Mônica foi casada por 13 anos com o José Wilker, no auge do Wilker na televisão. Não preciso nem responder..."




O casal tentou ter filhos e passou por cinco abortos por uma incompatibilidade sanguínea. Decidiram adotar e hoje têm Francisco, 6, e Stéphanie, 9. Tentaram adotar outra menina, mas os pais biológicos desistiram do processo. "Foram para aqueles programas de TV sensacionalistas. Virou um circo. Cinco dias depois, a gente devolveu ela", diz o ator. "Há quatro meses, me ligaram para dizer que ela está mendigando em Santa Cruz [bairro do Rio], está na rua."




Para o ator, seus filhos se parecem entre eles e com os pais. "Cientificamente, é comprovado que até os seis anos o músculo da face não está formado ainda. Então, ele repete tudo que ele vê. Pega a feição", diz Marcello, que mora com a família no Rio, mas tem um apartamento na alameda Franca.




Na porta do prédio, diz: "Posso pedir a vocês [repórter e fotógrafa] para esperarem aqui enquanto eu pego o carro?" Depois, por brincadeira, narra o que a reportagem poderia escrever: "Ao parar para pegar a gente para ir ao teatro, depois de vetar a entrada das duas, de uma maneira antipática, Antony puxa o cigarro com desdém", brinca o ator, cigarro aceso, a caminho do teatro.




E falando em fumar... "Não tenho nada pra falar sobre esse assunto." O "assunto" é o episódio em que Marcello foi preso em flagrante comprando cerca de cem gramas de maconha em Porto Alegre, em 2004. "É um episódio que foi, e as pessoas tirem as conclusões que quiserem tirar. Fiquem à vontade."




"Numa coletiva, uma mulher perguntou "A droga atrapalha a sua vida?" Fui um idiota em responder: "O que atrapalha a minha vida é corrupção, hipocrisia, falsidade". E a chamada da matéria foi "As drogas não fazem mal à minha vida'", recorda. "Eu adoraria trocar essa bola com o Brasil. Mas a sociedade não está pronta pra isso. É muito preconceituosa."




Já no camarim, a mesa de Marcello tem um espelho com fotos dos filhos e vários bilhetes recebidos na estreia. Um deles diz "Be Brave! Forever Yours [Coragem! Sempre sua]" e é assinado por "Moranga", apelido com que chama a mulher [ele é o "Morango" de Mônica].




Marcello liga o iPod na caixa de som, passa blush, lápis no olho, pinta as unhas de preto. Ao chegar, o colega de elenco Cacá Toledo recebe um aviso. "Cacá, muito cuidado com o que você falar. Meça suas palavras." Marcello vai trocar de roupa. Volta com "gel de babosa" no cabelo e sem camisa, expondo a tatuagem com um coração e o nome dos filhos.




No som, põe para tocar "Mantenha o Respeito", do grupo pró-maconha Planet Hemp. E ri. "Claro, ele botou um monte de músicas para tocar. Qual vai sair na matéria? "Mantenha o Respeito'", brinca. Um ator acende um incenso. O som toca uma música do The Police.




Hora de entrar em cena. Saca então um cachimbo de plástico com uma bolinha para exercícios de respiração. "Isso aqui tá um prato cheio. Pronto, já tem a marica [cachimbo para uso de drogas], D2, The Police, incenso, colírio... Já tem a matéria. Valeu, gente!" Marcello termina de se vestir, sai do camarim e vai ser Pedro no palco.

com ADRIANA KÜCHLER




Folha de SP
domingo 31 de maio

postado por: NANDA ROVERE 2:13 PM




Teatro

Sai a lista de indicados à terceira edição do prêmio APTR
Plantão | Publicada em 02/06/2009 às 15h45m
O Globo
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RIO - A Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro (APTR) divulgou nesta terça-feira a lista de indicados à terceira edição do Prêmio APTR, que acontecerá no dia 22 de junho no Teatro Fashion Mall, em São Conrado. Este ano, foi criada a categoria "Melhor espetáculo", na qual concorrem "A inveja dos anjos", "A noviça rebelde", "Ensina-me a viver" e "Traição". A crítica de teatro do GLOBO Bárbara Heliodora integra o júri do prêmio, composto ainda pelos críticos Macksen Luiz, Mauro Ferreira, Lionel Fischer, André Gomes, Tânia Brandão e Débora Ghivelder.

O drama "Ensina-me a viver" e o musical "A noviça rebelde" receberam o maior número de indicações: sete cada uma. "Traição", dirigida por Ary Coslov, e "Clandestinos", escrito e dirigido por João Falcão, concorrem em quatro categorias. Veja a lista completa dos indicados:

Autor
Carla Faour - "A arte de escutar"

Fábio Mendes - "The cachorro manco show"

João Falcão - "Clandestinos"

Rodrigo Nogueira - "Entropia"

Diretor
Ary Coslov - "Traição"

Charles Möeller e Cláudio Botelho - "A noviça rebelde"

Gabriel Villela - "Salmo 91"

João Falcão - "Clandestinos" e "Ensina-me a viver"

Cenógrafo
Aurora dos Campos - "A forma das coisas" e "Quartos de Tennessee"

Daniela Thomas - "Não sobre o amor"

Marcos Flaksman - "Traição"

Paulo Moraes e Carla Berri - "A inveja dos anjos"

Figurinista
Kika Lopes - "Clandestinos" e "Ensina-me a viver"

Marcelo Olinto - "Opereta carioca"

Ney Madeira - "O santo e a Porca" e "Entropia"

Rita Murtinho - "A noviça rebelde"

Iluminador
Beto Bruel - "Não sobre o amor"

Maneco Quinderé - "Inveja dos anjos"

Paulo César Medeiros - A noviça rebelde"

Renato Machado - "Ensina-me a viver" e "O Homem da cabeça de papelão"

Ator protagonista
Leonardo Franco - "Traição"

Leonardo Medeiros - "Não sobre o amor"

Rodrigo Pandolfo - "Cine-teatro limite"

Sergio Britto - "Ato sem palavras" e "A última gravação de Krapp"

Atriz protagonista
Bibi Ferreira - "Às favas com os escrúpulos"

Drica Moraes - "A ordem do mundo"

Glória Menezes - "Ensina-me a viver"

Patrícia Selonk - "Inveja dos anjos"

Ator coadjuvante
Armando Babaioff - "O Santo e a porca"

Fernando Eiras - "A noviça rebelde"

Marcelo Guerra - "A inveja dos anjos"

Rodolfo Vaz - "Salmo 91"

Atriz coadjuvante
Ana Paula Bouzas - "Dona Flor e seus dois maridos"

Fernanda Freitas - "Ensina-me a viver"

Simone Mazzer - "A inveja dos anjos"

Solange Badim - "A noviça rebelde"

Categoria especial
20 anos da Cia. dos Atores

Bibi Ferrreira - pelo conjunto da obra

Elenco do "Beatles num céu de diamantes"

João Falcão pela realização do projeto "Clandestinos"

Espetáculo
"A inveja dos anjos"

"A noviça rebelde"

"Ensina-me a viver"

"Traição"

Melhor produtor
Axion Produtores Associados por "A noviça rebelde"

Criatura Produções e Jô Abdu Produções por "Clandestinos"

Primeira Página Produções Culturais por "Ensina-me a viver"

Chaim Produções Artísticas por "Os produtores"

http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2009/06/02/sai-lista-de-indicados-terceira-edicao-do-premio-aptr-756157407.asp



postado por: NANDA ROVERE 2:07 PM





Arte e Cultura


Terça, 2 de junho de 2009, 16h49 Atualizada às 17h08
Vera Zimmermann: "Graças a Deus não tenho nada da Lúcia"


João Caldas/Divulgação

Vera Zimmermann e Leandra Leal em cena de 'Vestido de Noiva'



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Como foi sua preparação para viver Lúcia? Assistiu a outras montagens e ao filme de Joffre Rodrigues e tirou algo da Lúcia já vivida por outras atrizes?
A única coisa que assisti foi uma montagem feita pelo Antunes Filho para a TV Cultura, que ninguém viu. A preparação foi toda com base nos próprios ensaios e no trabalho com o Gabriel e os assistentes dele. Foram três meses estudando Nelson, e trabalhando com a linha de montagem que Gabriel queria para a personagem.
» Confira a entrevista com Marcello Antony
» Leia a matéria sobre a peça

Como é transitar entre uma personagem fútil e trambiqueira - como Joelma, em Negócio da China - para uma mulher insegura e vingativa em um drama psicológico de Nelson Rodrigues?
O maior prazer da nossa carreira é fazer personagens que transitem por todas as diferenças de personalidade.

A Vera da vida real tem alguma coisa da Lúcia, dos palcos?
Nada, graças a Deus. O meu maior prazer de trabalhar com Gabriel Villela é que ele faz um teatro mais expressionista, que sai totalmente da realidade. Então a gente se distancia muito da gente mesmo para construir o personagem.

Notei que você muda o tom e o timbre da voz da primeira parte da peça para a segunda. É proposital?
É totalmente proposital. O segundo ato do espetáculo é onde entra a Mulher do Véu, que Alaíde não identifica quem é. Por isso o timbre da voz tem um tom mais trágico, para que dê esse estranhamento dentro da cabeça da Alaíde e do próprio espectador, de não saber quem é essa mulher. A partir do final do segundo ato para o terceiro, o véu é arrancado e Alaíde descobre que a Mulher do Véu é sua irmã Lúcia. E aí entra voz natural.

Há algum projeto que você vem tocando paralelamente à peça
Por hora não.


Redação Terra







Marcello Antony diz que simplesmente ama Nelson Rodrigues


Renata Reps

João Caldas/Divulgação

Marcello Antony e Lleandra Leal em 'Vestido de Noiva'



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Como foi sua preparação para viver Pedro? Assistiu a outras montagens e ao filme de Joffre Rodrigues e tirou algo do Pedro já vivido por outros atores?
Trabalhei, junto com o Gabriel, mais o cinismo, o deboche, o sarcasmo e a ironia que são característicos do meu personagem, pelo ponto de vista da cabeça da Alaíde. Só resgatei essas características, numa linguagem cênica conduzida por Gabriel. Vi outras montagens e o filme, mas só por curiosidade, não influenciou na minha preparação do personagem.
» Confira a entrevista com Vera Zimmermann
» Leia a matéria sobre a peça

O Marcello da vida real tem algo do Pedro dos palcos?
Acho que somente o lado do humor do personagem.

É a primeira vez que você encena Nelson Rodrigues. É um autor que você gosta? Quais os desafios que interpretar um personagem montado pelo maior gênio do teatro brasileiro moderno?
É um autor que realmente amo. O desafio é justamente poder passar para a platéia tudo aquilo que ele quis colocar no texto.

E pintar as unhas, é incômodo? Você tira depois que cada peça acaba ou deixa pelo fim de semana inteiro?
Pintar as unhas é parte do personagem, tiro logo depois da peça.

Como está conciliando a vida no Rio, família, filhos, e a temporada em São Paulo? Passa a semana por lá e só vem no fim de semana?
Venho nos finais de semana, para a peça, e fico durante a semana lá no Rio.


Redação Terra

Terça, 2 de junho de 2009, 16h48 Atualizada às 17h05
Leandra Leal e Marcello Antony juntos em 'Vestido de Noiva'


Renata Reps

João Caldas/Divulgação

Leandra Leal e Vera Zimmermann em cena de 'Vestido de Noiva'



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Na primeira vez que a peça Vestido de Noiva foi encenada em um teatro, no ano de 1943, a platéia se deparou com algo que nunca tinha visto antes no Brasil: um texto absolutamente cara-de-pau, com vocabulário livre e atores que contrapunham realidade e alucinação no palco. Senhoras e senhores, tratava-se da obra-prima do gênio Nelson Freire.
» Confira a entrevista com Marcello Antony
» Confira a entrevista com Vera Zimmermann

É claro que a peça gerou polêmica na época, trazendo um certo incômodo a quem assistia pelo excesso de angústia que o autor conseguiu colocar na pele dos personagens - uma angústia que seria dele mesmo. Tudo começa com um barulho de buzina e um atropelamento. A atingida é Alaíde, a noiva do título, que passa a agonizar e delirar na mesa de cirurgia - e a partir daí se dão os planos de realidade, alucinação e memória da peça.

De lá para cá, Vestido de Noiva foi montado inúmeras vezes pelas mais diversas companhias de teatro. Também virou filme, nas mãos do filho de Nelson, Joffre Rodrigues, em 2006. Na montagem atual, de Gabriel Villela, a novidade está em pleno palco: nada de divisões para separar o real do irreal. O cenário é um só, e nele o espectador se encontra a partir das interpretações dos personagens.

Ousada e irreverente, Leandra Leal está no papel da sensual e oportunista Alaíde. Ao seu lado, Marcelo Anthony faz o sonso Pedro, marido da noiva e amante de sua irmã, a vingativa Lúcia (Vera Zimmerman). A peça conta com direção musical de Daniel Maia, que dá um toque ao mesmo tempo carnavalesco e nostálgico ao texto, e um elenco que está em plena sintonia. Vale a experiência.

http://diversao.terra.com.br/interna/0,,OI3801383-EI3615,00-Leandra+Leal+e+Marcello+Antony+juntos+em+Vestido+de+Noiva.html






postado por: NANDA ROVERE 2:06 PM



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