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Comments: Quarta-feira, Janeiro 25, 2006 Teatro: Villela estréia Esperando Godot em São Paulo A partir do dia 03 de fevereiro as atrizes Bete Coelho, Magali Biff, Lavínia Pannunzio e Vera Zimmermann vão dar vazão ao seu lado masculino. Elas estão na montagem do diretor Gabriel Villela de Esperando Godot no Sesc Belenzinho em São Paulo. As atrizes interpretarão os clowns masculinos, protagonistas do espetáculo: Estragon, Vladimir, Pozzo e Lucky, na montagem que tem a devastação da natureza como inspiração situando a encenação em um território devastado pelas queimadas nas florestas, com os rios secando e a vegetação sendo destruída. Da Redação estrelando.uol.com.br/interna/interna_6577.htm
postado por: NANDA ROVERE 7:37 AM 17/01/2006 - 18:08:32 Vera Zimmermann estréia na peça "Esperando Godot" Está cercada de muita surpresa a montagem de Gabriel Villela para o texto "Esperando Godot", de Samuel Beckett, que estréia dia 3 de fevereiro, no subsolo do SESC Belenzinho, com elenco formado pelas atrizes Bete Coelho, Magali Biff, Lavínia Pannunzio e Vera Zimmermann. O diretor está guardando a sete chaves os detalhes que envolvem a encenação, que conta com elenco formado por mulheres interpretando persongens masculinos. Na montagem de Antunes Filho, os personagens eram vividos por Eva Wilma, Lílian Lemmertz, Lélia Abramo, Maria Yuma e Vera Lyma. Estão marcados ensaios abertos dias 27, 28 e 29 de janeiro, às 21h, no subsolo do SESC Belenzinho. Te Contei postado por: NANDA ROVERE 7:36 AM Comments: Terça-feira, Janeiro 24, 2006 ESPERANDO GODOT Estréia 3 de fevereiro, sexta-feira, às 21 horas no SESC Belenzinho ¿ Espaço Subsolo. Rua Álvaro Ramos, 915, São Paulo, perto do Estação Belém, do Metrô, tel. 6602-3700 e 0800-118220. Capacidade ¿ 80 lugares. Texto ¿ Samuel Beckett. Tradução ¿ Fábio de Souza Andrade. Direção ¿ Gabriel Villela. Elenco ¿ Bete Coelho (Estragão), Magali Biff (Vladimir), Lavínia Pannunzio (Pozzo) e Vera Zimmermann (Lucky, menino I e menino II). Desenho de luz - Domingos Quintiliano. Cenografia e Figurinos ¿ Gabriel Villela. Execução do cenário e adereços - Márcio Vinícius. Temporada - de 3 de fevereiro a 26 de março. Sextas, sábados e domingos, às 21h. Duração: 90 minutos. Atenção: Após o início da apresentação, não é permitida a entrada de espectadores. Ensaios abertos ¿ Dias 27, 28 e 29 de janeiro de 2006, de sexta a domingo, às 21 horas (de graça, retirar com 1h de antecedência, enquanto houver disponibilidade de lugares). Programação paralela ¿ Mesa redonda BECKETT 100 ANOS ¿ Dia 9 de fevereiro, das 20h às 21h30 ¿ GRÁTIS (retirar com 1h de antecedência, enquanto houver disponibilidade de lugares) SESC BELENZINHO ¿ Ingressos - R$ 15,00, R$ 10,00 (usuário matriculado em alguma unidade do SESC, aposentados e estudantes com carteirinha) e R$ 7,50 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes). Venda de ingressos antecipados: na rede SESC (todas as Unidades do SESC). Aceitam-se cartões de crédito (todas as bandeiras) e cheques de todos os bancos. Censura ¿ Recomendado para maiores de 14 anos. Acessibilidade para pessoas com necessidades especiais. Ar condicionado. Após o espetáculo, o SESC Belenzinho disponibiliza serviço de van até a estação Belém do Metrô. www.sescsp.org.br
Lavínia Pannunzio (Pozzo), Vera Zimmermann (Lucky,menino I e menino II), Bete Coelho (Estragão) e Magali Biff (Vladimir)
Bete e Magali
Todas as fotos são de Lenise Pinheiro. Eu as tenho em maior tamanho. ABAIXO RELEASE DE ESPERANDO GODOT, ESPETÁCULO COM DIREÇÃO DO GABRIEL GABRIEL, DESEJO A VOCÊ TODO O SUCESSO DO MUNDO. QUE ESPERANDO GODOT SEJA MAIS UM SUCESSO DA SUA ILUMINADA TRAJETÓRIA PROFISSIONAL. OBRIGADA POR VOCÊ ME PROPORCIONAR MOMENTOS DE EMOÇÃO COM A SUA POESIA CÊNICA. postado por: NANDA ROVERE 2:40 AM Comments: Domingo, Janeiro 22, 2006 Com elenco feminino, Gabriel Villela leva ESPERANDO GODOT ao SESC Belenzinho Bete Coelho (Estragão), Magali Biff (Vladimir), Lavínia Pannunzio (Pozzo) e Vera Zimmermann (Lucky) estão à frente da encenação intimista, pontuada por referências populares e linguagem de clown. Para tratar da falta de esperança, tema da fábula bechettiana, a montagem de Gabriel Villela recorreu às convenções do teatro de arena e à singeleza inerentes a seus clochars (mendigos e vagabundos de rua franceses) Numa homenagem aos 100 anos de nascimento do escritor irlandês Samuel Beckett (1906-1989), o diretor mineiro Gabriel Villela apresenta a nova montagem brasileira do texto Esperando Godot, baseado na tradução de Fábio de Souza Andrade, lançada recentemente pela editora Editora Cosac & Naif. Escrito originalmente em francês, em 1948, o clássico da dramaturgia mundial, que mescla niilismo, comédia e humor fino, estréia no dia 3 de fevereiro, sexta-feira, às 21 horas, no Espaço Subsolo do SESC Belenzinho, reunindo no elenco as atrizes Bete Coelho, Magali Biff, Lavínia Pannunzio e Vera Zimmermann. Elas interpretarão os clowns masculinos, protagonistas do espetáculo: Estragon, Vladimir, Pozzo e Lucky. A montagem tem inspiração no quadro atual de devastação da natureza encontrado no Brasil e no mundo. Dessa forma, o diretor situa sua encenação em um território devastado pelas queimadas nas florestas, com os rios secando e a vegetação sendo destruída. Para abordar esse assunto, Villela considera perfeita as reflexões dos protagonistas quando dizem: Devíamos ter prestado mais atenção na natureza...Agora são só folhas...mortas!. Para Gabriel Villela, o texto de Becket trabalha exatamente com a questão da ignorância e da impotência. ¿Este é o princípio revoltante que me liga metafisicamente à fábula de Godot¿. ¿Nessa montagem, trabalhei com a subtração para chegar a um picadeiro roto, síntese de como estamos tratando a natureza no começo do século 21. Não há mesmo esperança, a não ser no fato da gente poder conversar ludicamente sobre estes temas, com os instrumentos que temos, no nosso caso o teatro¿, diz o diretor. A vontade de encenar Esperando Godot aconteceu depois de Gabriel Villela ler as reflexões feitas pelo escritor húngaro Imre Kertész, no livro A Língua Exilada, presente da atriz Bete Coelho. Impressionado com os questionamentos contidos na obra, Gabriel embarcou para Portugal, no ano passado, para trabalhar com as companhias portuguesas Seiva Trupe, Entretanto Teatro e A Barraca. ¿Fui para Portugal já com o desejo de juntar os dois lados de Minas: as minhas influências interioranas, ao lado da voz cosmopolita de Bete Coelho. Sobre a história Na trama, dois vagabundos Estragon (Gogô) e Vladimir (Didi), esperam em vão a chegada de um personagem enigmático (um certo Godot, símbolo do inalcansável) em uma encruzilhada, no meio de um terreno no campo, cujo único sinal de vegetação é uma árvore quase seca. No centro de Godot estão dois palhaços tristes, implicantes, insatisfeitos e solitários, que passam os dias a esperar a solução de seus problemas: Godot, que deve aparecer a todo momento, mas nunca chega. A peça curiosamente deu origem à expressão em francês "esperar Godot", que significa "uma espera interminável por algo desconhecido". Godot...será que ele vem? Será que não? Talvez virá... amanhã. ¿Diariamente, o mundo sente na carne a esperança traída. Diariamente, experimenta a relação cáustica entre dominador e dominado¿, afirma Gabriel Villela. ¿Sua sede de salvação, sua ânsia de além-mundos são inesgotáveis. Atualidade social e metafísica e uma incrível comicidade tornam Esperando Godot um grande espetáculo comitrágico¿, fala o diretor, sobre o texto e a montagem. Estética da delicadeza e do detalhamento No Espaço Subsolo do SESC Belenzinho, um espaço cenográfico limitado por uma parede de tijolo aparente e vazado no teto, o diretor Gabriel Vilella concebeu sua montagem em formato de arena. De acordo com Gabriel, o espaço da encenação lembra o de um oratório, a cápsula de um oratório. ¿Minha inspiração veio do interior de um oratório capsular, desses que são levados nas costas. E tudo está sendo feito para reproduzir a sensação de conforto, no sentido de agasalhar os atores, de trazer uma estética minúscula de detalhamento, de síntese, de delicadeza¿, afirma ele. Sobre o figurino e a luz As quatro atrizes de Esperando Godot vestem camisolas de linho branco da década de 40, recolhidas em albergues parisienses. ¿Elas têm a memória da destruição da segunda guerra mundial e um quê de O Gordo e o Magro¿, explica, dizendo que buscou construir os quatro personagens interpretados por Bete Coelho, Vera Zimmermann, Magali Biff e Lavínia Pannunzio como ¿figuras vestidas para dormir ou prontas para sair, entre o estado letárgico do sono e o pesadelo devastador da realidade¿. Assinado por Domingos Quintiliano, o desenho de luz da peça tem um movimento espiral e evolui em círculo, de forma ascendente e descendente. Trata-se de uma brincadeira em cima de um dínamo, do movimento de uma turbina que gera luz. Sobre as montagens Marco no chamado teatro do absurdo, corrente teatral, e relato contundente da falta de esperança na condição humana, Esperando Godot - divisor de águas no teatro do século passado - estreou em Paris (para onde Beckettt auto-exilou-se) em 1953, em uma pequena produção dirigida por Roger Blin. A obra foi consagrada pela crítica e se transformou em um clássico do século 20. Montada no mundo todo, Esperando Godot teve sua primeira encenação no Brasil em 1955, dois anos depois da estréia parisiense, pelas mãos de Alfredo Mesquita, com alunos da Escola de Arte Dramática. A primeira montagem profissional foi dirigida em 1968, por Flávio Rangel, com Walmor Chagas e Cacilda Becker (que sofreu aneurisma no intervalo de uma matinê e morreu semanas depois). Em seguida, o texto foi montado por Antunes Filho, com elenco formado por Eva Wilma, Lílian Lemmertz, Lélia Abramo, Maria Yuma e Vera Lyma. Em 2003, foi a vez do grupo carioca Armazém Cia. De Teatro apresentar a sua versão de Godot. Programação paralela Ainda em comemoração aos 100 anos de nascimento do autor, o SESC Belenzinho realiza, no dia 9 de fevereiro, quinta-feira, das 20 às 21h30, a mesa-redonda Beckett 100 Anos. Para discutir a obra do autor que, por ironia e propriedade, abordou sentimentos como o inconformismo, a solidão, o descrédito e a impotência humana, foram convidados importantes nomes da cena teatral brasileira: a pesquisadora e professora aposentada da Universidade de São Paulo, Célia Berrenttini; o tradutor Fábio de Souza, o diretor de Esperando Godot Gabriel Villela e o diretor e pesquisador Marcio Aurélio, mediador da mesa-redonda. Sobre o autor Autor de romances, contos, novelas, textos teatrais e radiofônicos, Samuel Beckett - que ganhou o Nobel de Literatura em 1969 ¿ Samuel Beckett nasceu em 1906 em Foxrock, perto de Dublin. De família burguesa e protestante, estudou francês e italiano no Trinity College de Dublin, foi professor em Paris, conheceu James Joyce (de quem foi secretário pessoal na juventude), regressou à Irlanda em 1931, passou por Londres e pela Alemanha, voltou a Paris quando explodiu a guerra e fez parte da Resistência. É no pós-guerra que vive o período mais intenso da sua produção literária, com destaque para Esperando Godot, uma trilogia de romances e quatro novelas (entre as quais Primeiro Amor). Em seguida, começa a traduzir os seus textos para inglês e volta a escrever também nessa língua. Constrói uma obra dupla, bilíngue, cada vez mais depurada. Recebeu o Nobel em 1969 e distribuiu o dinheiro entre os amigos. Morreu em Paris em 1989. Sobre Gabriel Villela Diretor, cenógrafo e figurinista, estudou Direção Teatral na USP. Iniciou sua carreira profissional em 1989 com VOCÊ VAI VER O QUE VOCÊ VAI VER, de R. Queneau, e O CONCÍLIO DO AMOR, de O Panizza. Desde então, recebeu três Prêmios Molière, três Prêmios Sharp, oito Prêmios Shell, dez Troféus Mambembe, cinco Troféus APCA, cinco Prêmios APETESP e dois Prêmios PANAMCO, entre outros. Alguns de seus espetáculos são: RELAÇÕES PERIGOSAS, de Heiner Muller; A VIDA É SONHO, de Calderón de La Barca; ROMEU E JULIETA, de William Shakespeare; A FALECIDA, de Nélson Rodrigues; O MAMBEMBE, de Arthur Azevedo; O SONHO, de Strindberg; e MORTE E VIDA SEVERINA, de João Cabral de Melo Neto. Seus últimos espetáculos compõem uma trilogia de musicais de Chico Buarque para o TBC: ÓPERA DO MALANDRO, OS SALTIMBANCOS e GOTA D¿ÀGUA. Dirigiu também A PONTE E A ÁGUA DE PISCINA, de Alcides Nogueira, indicado a três Prêmios Shell em 2002. Tornou-se um dos mais renomados diretores teatrais com reconhecimento internacional, sendo convidado a participar de Festivais nos EUA, Europa e América Latina. Com o Grupo Galpão (ROMEU E JULIETA e A RUA DA AMARGURA), Gabriel Villela foi convidado para uma temporada no Globe Theatre, em Londres, uma reconstrução do teatro original em que Shakespeare encenava seus textos, no século XVI, conquistando a crítica e o exigente público londrino. Em 2004 montou FAUSTO ZERO, do escritor alemão J.W. Goethe, com a qual esteve na Rússia. Recentemente, esteve em Portugal, onde trabalhou com a Seiva Trupe, A Barraca e Entretanto Teatro. Sobre Bete Coelho Estreou em teatro profissional com a diretora mineira Carmem Paternostro, com quem trabalhou em Pagu, entre outras peças. Em São Paulo, foi descoberta pelo diretor Antunes Filho e passou a integrar o Grupo de Teatro Macunaíma, atuando em Romeu e Julieta; Macunaíma e Nelson 2 Rodrigues. Depois, com o diretor Gerald Thomas fundou a Cia. de Ópera Seca e participou das peças Carmem com Filtro; Eletra Com Creta; Trilogia Kafka (Um Processo/Uma Metamorfose/Praga); Carmem com Filtro 2 e M.O.R.T.E. Prêmio APCA de melhor atriz com Cacilda! (José Celso Martinez Corrêa), atuou sob a direção de Paulo Autran no monólogo Pai, de Cristina Mutarelli, além de ter feito FrankensteinS, de Eduardo Manet, direção de Jô Soares. Estreou como diretora com Pentesiléias, de Daniela Thomas, também atuando ao lado de Renato Borghi e Giulia Gam. Dirigiu Iara Jamra em O Caderno Rosa de Lori Lambi, de Hilda Hilst; A Caixa, de Patrícia Mello e, ainda, Elas são do Baralho, de Mara Carvalho. Em TV, participou, entre outras, das novelas Vamp; As Filhas da Mãe e Agora é que são Elas (TV Globo); Éramos Seis; Sangue do Meu Sangue e Os Ossos do Barão (SBT), Serras Azuis (TV Bandeirantes) e Seus Olhos, do SBT. Recentemente, A Lua me Disse (Globo). Sobre Magali Biff Com dois prêmios de melhor atriz na bagagem (APCA por O Retrato de Janete, em 2001, e Shell por Kaspar, em 1994), a atriz formou-se na Escola de Arte Dramática da USP em 1983. Trabalhou a seguir com Cacá Rosset (Mahagony, em 1984), José Celso Martinez Corrêa (Mistérios Gososos e As Bacantes, em 1982). De 1887 a 1993, atuou no grupo do diretor Gerald Thomas, nas seguintes montagens: Carmem com Filtro; Eletra Com Creta; Trilogia Kafka (Um Processo/Uma Metamorfose/Praga); Carmem com Filtro 2, ópera Matogrosso, M.O.R.T.E e Império das Meias Verdades. Criou sua própria companhia, a Cia Coisa Boa, ao lado de Dedé Pacheco, em 2001. Antes, fez Metrô, com direção de Maria Lúcia Pereira, e, recentemente, Avenida Dropsie (Felipe Hirsch). Em TV, fez Sangue do Meu Sangue (11195, SBT), Chiquititas (entre 1997 e 1998, na Argentina) e Os Ricos Também Choram (2005, no SBT). Sobre Lavínia Pannunzio Atua profissionalmente desde 1980, dedicando-se a conhecer a dramaturgia contemporânea. Trabalhou com Mário Bortolotto em GETSÊMANI (longa), TANTO FAZ, CLAVÍCULAS, DENTES GUARDADOS, POSTCARDS DE ATACAMA, MEDUSA DE RAYBAN e O QUE RESTOU DO SAGRADO; Zé Renato em JOÃO E CARLOTA; Felipe Hirsch em A VIDA É CHEIA DE SOM E FÚRIA e TEMPORADA DE GRIPE, de Will Eno; Márcio Araújo em 3,2,1, ZÉ AMARO E IRINEU e A HORA É AGORA; Alexandre Stockler em WILD' STORIES, LINHA DE FUGA e 13 MOVIMENTOS, com quem dividiu essas criações; Zé Celso Martinez Corrêa em CACILDA!; Gabriel Villela, em O MAMBEMBE; Emilio di Biasi em BUDRO; André Pink, Cristiane Paoli Quito e Yacov Hillel. Montou textos de Walcyr Carrasco, Abílio Pereira de Almeida, Plínio Marcos, Claudia Schapira, Bertolt Brecht, Pedro Vicente, Ana Ferreira, Bosco Brasil, Wagner Salazar, Woody Allen, João Cabral de Melo Neto, Martins Pena e alguns próprios. Adaptou para o cinema o conto BELO HORIZONTE (de Reinaldo Moraes) e o livro A ÚLTIMA TRINCHEIRA (de Fábio Pannunzio) e para o teatro os livros VELUDINHO e ERA UMA VEZ UM RIO (de Martha Pannunzio) ¿ primeiras experiências como dramaturga e diretora, depois de 25 anos de teatro, com incursões pelo cinema, artes plásticas, dança e TV. Sobre Vera Zimmermann Vera Zimmermann começou a carreira no teatro com Antunes Filho em 1981 na peça NELSON RODRIGUES O ETERNO RETORNO e MACUNAÍMA. Entre seus principais trabalhos estão UNGLAUBER e DOM JUAN, com direção de Gerald Thomas, e REPLAY e OS SALTIMBANCOS, com direção de Gabriel Villela. Em TV, atuou nas novelas MEU BEM, MEU MAL, MARISOL, na minissérie SÃOS E SALVOS e no seriado JOANA. Em Cinema, fez TÔNICA DOMINANTE, sob a direção de Lina Chamieé. Seus mais recentes trabalhos em teatro foram: A Ponte e a Água de Piscina (2002) e Fausto Zero (2004), ambas sob a direção de Gabriel Villela, e Os Sete Afluentes do Rio Ota, em 2003, dirigida por Monique Gardenberg. Para roteiro: ESPERANDO GODOT ¿ Estréia 3 de fevereiro, sexta-feira, às 21 horas no SESC Belenzinho ¿ Espaço Subsolo. Rua Álvaro Ramos, 915, São Paulo, perto do Estação Belém, do Metrô, tel. 6602-3700 e 0800-118220. Capacidade ¿ 80 lugares. Texto ¿ Samuel Beckett. Tradução ¿ Fábio de Souza Andrade. Direção ¿ Gabriel Villela. Elenco ¿ Bete Coelho (Estragão), Magali Biff (Vladimir), Lavínia Pannunzio (Pozzo) e Vera Zimmermann (Lucky, menino I e menino II). Desenho de luz - Domingos Quintiliano. Cenografia e Figurinos ¿ Gabriel Villela. Execução do cenário e adereços - Márcio Vinícius. Temporada - de 3 de fevereiro a 26 de março. Sextas, sábados e domingos, às 21h. Duração: 90 minutos. Atenção: Após o início da apresentação, não é permitida a entrada de espectadores. Ensaios abertos ¿ Dias 27, 28 e 29 de janeiro de 2006, de sexta a domingo, às 21 horas (de graça, retirar com 1h de antecedência, enquanto houver disponibilidade de lugares). Programação paralela ¿ Mesa redonda BECKETT 100 ANOS ¿ Dia 9 de fevereiro, das 20h às 21h30 ¿ GRÁTIS (retirar com 1h de antecedência, enquanto houver disponibilidade de lugares) Assessoria de Imprensa do SESC Belenzinho: EDITOR ¿ Edison Paes de Melo Com Leonardo Neto ou Sylvio Novelli 11-3824-4200 Lneto@editorweb.com.br Assessoria de Imprensa da peça ARTEPLURAL - Fernanda Teixeira (11) 3885-3671/ 9948-5355 arteplural@uol.com.br postado por: NANDA ROVERE 4:15 AM Diler Trindade investe no popular para criar uma indústria de cinema Diler Trindade gosta de trabalhar com diretores de teatro. Levou seis anos para convencer o mineiro Gabriel Villela a dirigir um filme. Vão fazer Romeu e Julieta. (espero que dê certo!) REPORTAGEM DE CAPA 25 de janeiro de 2006 Máquina de fazer filmes Diler Trindade investe no popular para criar uma indústria de cinema Telma Alvarenga* O produtor e suas obras: hora de diversificar Quem passa algumas horas no escritório de Diler Trindade, no Pólo Rio de Cine e Vídeo, na Barra da Tijuca, não desconfia que ali estão sendo gestados, ao mesmo tempo, 62 projetos de longas-metragens. O telefone não toca freneticamente e não há entra-e-sai de assessores nem sinal algum de ansiedade no rosto do produtor. Aos 62 anos, olhar sereno e sorriso confiante, Diler sabe muito bem o que quer. E o que ele quer é fazer filmes. Muitos. Cada vez mais. Produtor dos longas de Xuxa, Renato Aragão e padre Marcelo Rossi, esse ex-publicitário nascido no Engenho Novo, filho de um fotógrafo da Rádio Nacional, de quem herdou o nome, tem 27 longas no currículo e já levou mais de 30 milhões de pessoas ao cinema. Realiza, em média, seis filmes por ano. Em dezembro de 2005, lançou Xuxinha e Guto contra os Monstros do Espaço, seu primeiro desenho animado. Em janeiro, Didi, o Caçador de Tesouros. E já se prepara para outras cinco estréias ainda neste ano, enquanto vai anotando novas idéias até em guardanapos de restaurante. "Trabalho o tempo todo", diz. "Mas com um prazer tão grande... Meu stress é pelo volume de coisas para fazer. Gosto dessa adrenalina, é a minha droga. Não bebo, não fumo, então consumo adrenalina", ri. "Em 2010, quero estar produzindo dez filmes por ano", planeja. Melhor não duvidar. Diler pavimentou sua estrada de sucesso na indústria cinematográfica nacional apostando em fitas feitas para atrair o grande público. "Não fazemos videoclipes nem comerciais. Assumimos o compromisso, como empresa, de sobreviver fazendo apenas longas-metragens. Por isso, temos um olhar muito atento sobre aquilo que vai dar resultado", diz. "Sobrevivemos graças ao produto de massa, popular, que dá lucro. Queremos fazer o cinema industrial." Ele reconhece que essa postura já lhe rendeu críticas de que estaria fazendo um cinema de baixa qualidade. "No Brasil, existe uma cultura de desprezo pelo popular. Eu tenho apreço. Seria um absurdo dizer que filmes da Xuxa e do Renato (Aragão), que fizeram milhões de espectadores, não têm qualidade. Qualidade é um conceito muito relativo. É aquilo que é bom para quem se destina." Para rebater as críticas, criou a teoria da mortadela e do caviar. "Quem gosta de mortadela, provavelmente, vai achar o gosto do caviar péssimo." Divulgação Xuxinha está nos cinemas: o primeiro desenho animado Diler conquistou o respeito de seus pares, como o produtor Luiz Carlos Barreto. "Ele sempre buscou o popular sem ser popularesco e procurou dar qualidade à produção. Você pode assistir ao filme do padre Marcelo pensando que é um filme de puro oportunismo, mas não é. É bem interessante", diz. Daniel Filho, da Globo Filmes, também rende homenagens ao parceiro na produção de longas, como o último de Renato Aragão. "Diler ocupa um lugar imprescindível na indústria. É a produção contínua que a sustenta", comenta. Diretor do site Filme B, o cineasta Paulo Sérgio Almeida, que co-dirigiu três dos nove longas-metragens de Xuxa ¿ todos da Diler & Associados ¿, faz coro. "Diler é fundamental. Faz um trabalho responsável, conseqüente, que dá emprego, movimenta a indústria e leva cada vez mais as companhias estrangeiras a acreditar no cinema brasileiro." Lilian Taranto Aragão/Divulgação Didi, também em cartaz: 330 000 espectadores na primeira semana Com seu método de produção, Diler atrai grandes parceiras internacionais, como a Buena Vista, a Columbia TriStar, a Warner e a Fox, que, além de distribuidoras, são co-produtoras de vários projetos. "Ele é muito organizado, trabalha rápido e entrega os filmes no prazo predeterminado", elogia Rodrigo Saturnino, diretor da Columbia TriStar Buena Vista Filmes do Brasil. "Talvez seja, hoje, o mais importante produtor brasileiro em atividade." Diler sempre apresenta aos investidores um estudo de viabilidade dos longas-metragens que pretende realizar. "Estabelecemos o valor máximo da produção de acordo com a previsão de resultado", diz. Ele corta custos reduzindo o tempo de filmagem. "A maioria dos nossos filmes é feita em quatro semanas", conta. É assim com os longas de Xuxa, que realiza desde 1988. A produção custa, em média, entre 4,5 milhões e 5,2 milhões de reais. Filmagens mais complexas duram, no máximo, cinco semanas. "São doze horas por dia, seis dias por semana", explica. Algumas duram apenas três semanas, como as de Um Lobisomen na Amazônia, do diretor Ivan Cardoso, que custou cerca de 2,2 milhões de reais. Prevista para entrar em cartaz ainda no primeiro semestre, a fita resgata o gênero terrir, o besteirol de terror. "É uma franquia na qual estou apostando. Se puder, faço terrir todo ano, vai depender do resultado do primeiro. É um filme que acredito vá ter 400.000 espectadores." Diler nem sempre acerta. Em 2004, lançou Um Show de Verão, com Angélica e Luciano Huck, imaginado levar 1 milhão de pessoas ao cinema. Foram menos de 200.000. "Cometi um erro brutal: acreditei que a Angélica não fosse mais para criança e fiz um filme para adolescentes, com três cenas picantes que fizeram a censura ir para 14 anos", conta. O produtor chegou a ir ao Ministério da Justiça pedir que a fita fosse liberada para maiores de 10. Não conseguiu. "Mas você mostrou os dois seios da moça. Se fosse pelo menos um", disse o então responsável pela classificação dos filmes. "Pensei: se fossem três, então...!", gargalha. Achou melhor ficar calado. Divulgação Zeca Guimarães /Divulgação Vem aí: Turma da Mônica em Uma Aventura no Tempo Um Lobisomem na Amazônia: aposta no terrir Instalada no Pólo Rio de Cine e Vídeo, com uma equipe fixa de quarenta funcionários, a Diler & Associados começa a diversificar sua produção e já faz concessões ao cinema caviar. Vai produzir, por exemplo, Juízo, de Maria Augusta Amaral, documentário sobre a Justiça para menores infratores. "Sabemos que é um gênero que rende pouco, mas é um filme importante, necessário", defende Diler. Na lista dos que entrarão em circuito neste ano estão outros que fogem à linha mortadela, como A Máquina ¿ que estréia em março ¿ e Fica Comigo Esta Noite (baseado na peça de Flávio de Souza), ambos sob a batuta de João Falcão, diretor teatral que, pelas mãos de Diler, está fazendo sua estréia no cinema. Quando eles se conheceram, João lhe expôs a idéia de levar sua peça A Máquina para a telona. "Falei meia hora sem parar", conta. Diler topou no ato. "Ele não tinha visto o espetáculo, mas vislumbrou um longa bacana. Um ano depois, começamos a filmar. Foi sensacional." Os dois já planejam novos projetos. Tornaram-se amigos. "Aos poucos, fui conhecendo um homem bem-humorado, inteligente, sensível, culto", elogia Falcão. Zeca Guimarães /Divulgação André Valentim/Strana Mariana Ximenes e Gustavo Falcão, (acima), em A Máquina: estréia de João Falcão (à dir.) no cinema Diler gosta de trabalhar com diretores de teatro. Levou seis anos para convencer o mineiro Gabriel Villela a dirigir um filme. Vão fazer Romeu e Julieta. O primeiro a desembarcar na Diler & Associados vindo do teatro foi Moacyr Góes. Em três anos, fizeram seis longas ¿ entre eles os dois com o padre Marcelo Rossi. Vem mais por aí. Em março, começam a filmar Trair e Coçar É Só Começar, que neste ano completa vinte anos em cartaz e já levou 5 milhões de pessoas ao teatro. Outro projeto é a fita Tá Dominado, que Diler define como "uma comédia de maus costumes". "Vamos falar deste país de cabeça para baixo, onde polícia explora o tráfico, os juízes vendem sentenças, desses escândalos todos, e fazer uma comédia disso", explica o produtor. Moacyr admite que foi criticado quando começou a trabalhar com o produtor. "Quem quer fazer filme de entretenimento é visto como criminoso. Ele é um realizador profissional, o negócio dele é fazer filmes. Mas, como no Brasil ter lucro é crime, fazer sucesso é crime, isso ganha um sentido pejorativo", lamenta. Ele quer mais. "Não tenho preconceito. Eu me orgulho desses trabalhos, estou tentando fazer o melhor", diz. Agnóstico, Moacyr ficou impressionado com a quantidade de pessoas que o pararam nas ruas para falar de como Maria, Mãe do Filho de Deus (de 2003) fez bem a elas. "O Diler não se pauta pela crítica, mas pelo público. Isso é uma mudança de paradigma enorme. Não acho que tenha de ser só assim, mas é importante ter um cara como ele." André Valentim/Strana André Valentim/Strana Lilia, mulher de Diler (à esq.), e Moacyr Góes: parceiros fiéis Antes de mergulhar na sétima arte, Diler foi um publicitário bem-sucedido. Depois de estudar quatro anos de economia e trabalhar como repórter na Tribuna da Imprensa, ele abriu, aos 20 anos, a própria agência de propaganda, a Impulso de Publicidade. Não tinha sequer um escritório. "Era eu e a minha pastinha", conta. Depois, vieram a ITP e a Diler & Ellis, que teve contas importantes, como a do jornal O Globo. É da Diler & Ellis o memorável comercial dos classificados do jornal com a música Conversa de Botequim, de Vadico e Noel Rosa ("Telefone ao menos uma vez..."). Em 1988, já pensando em "desembarcar da publicidade", lançou seu primeiro longa: Super Xuxa contra o Baixo Astral. Em 1990, levou para a telona Xuxa em Lua de Cristal, um retumbante sucesso. Foi a maior bilheteria da década de 90: 5 milhões de espectadores. Em três anos, Diler fez seis filmes. A alegria durou pouco. Em 1991, colocou dois longas em circuito, mas a produção estagnou. Culpa do Plano Collor. "Não fazia nem propaganda nem cinema. Parou tudo", lembra. Resolveu produzir espetáculos musicais. Inventou o Rio Show Festival, que promoveu, no palco do Riocentro, encontros como o de Dorival Caymmi e Tom Jobim, Rita Lee e Gal Costa. Foram duas edições, em 1991 e 1992. No ano seguinte, Diler voltou a investir na propaganda, embora tenha sido obrigado a demitir quase toda a equipe da agência. Tempos difíceis. Resolveu morar com a segunda mulher, Lilia Alli, no terraço do prédio onde funcionava sua empresa, no Flamengo. "Era um espaço de 250 metros quadrados, onde construí a minha sala", conta. Como o gás não chegava até a cobertura, eles cozinhavam numa panela de fondue. Banho, só frio. Em compensação, tinham a linda vista da Baía de Guanabara. O mais importante era estar "a exatos dez segundos" do trabalho. "Às 6h30 da manhã, eu já estava em ação, para começar a debelar as crises." Conseguiu. Em 1999, lançou Xuxa Requebra e não parou mais de aumentar seu leque de sucessos. Acaba de produzir seu terceiro filme com Renato Aragão e já planeja outro para as férias de julho. "Ele é muito dinâmico e transmite esse entusiasmo para a gente", diz o trapalhão. Diler nunca se deixou abater pelas dificuldades. "Está sempre bem-humorado, é extremamente positivo e tem uma autoconfiança muito grande", atesta Lilia, 43 anos. Casada há dezesseis com o produtor, com quem tem uma filha, Luísa, de 9, ela é a administradora da Diler & Associados. A filha adora as histórias inventadas pelo pai, as quais ouve todas as noites antes de dormir. E dá palpite nos projetos infantis da produtora. "Ela é minha consultora e dá soluções fantásticas", orgulha-se o pai coruja. "Estamos até escrevendo um roteiro em parceria." São tantas idéias pululando que Diler faz planos de viver até 2043 para realizar seus projetos. "Quero fazer 100 anos, lúcido como foi o Barbosa Lima Sobrinho e como é Oscar Niemeyer, que tem 98 anos. Esse é o meu plano." Melhor não duvidar. * Colaborou Fátima Sá As maiores bilheterias Lançado em 1990, Lua de Cristal atraiu 5 milhões de espectadores e foi o recordista da década. De lá para cá, de toda a produção nacional, só 2 Filhos de Francisco ultrapassou a marca. No ranking da produtora de Diler, quatro filmes de Xuxa ocupam os primeiros lugares, seguidos de Maria, Mãe do Filho de Deus, do padre Marcelo Rossi. Lua de Cristal, 1990 5 milhões de espectadores Super Xuxa contra o Baixo Astral, 1988 2,8 milhões de espectadores Xuxa e os Duendes, 2001 2,63 milhões de espectadores Xuxa Pop Star, 2000 2,4 milhões de espectadores Maria, Mãe do Filho de Deus, 2003 2,3 milhões de espectadores As próximas atrações Diler planeja lançar cinco filmes em 2006, além dos longas de Xuxa e Renato Aragão, previstos para o fim do ano: Didi e a Princesa Lili, com direção de Marcus Figueiredo, que deve estrear nas férias de julho A Máquina, de João Falcão, com estréia em março Um Lobisomem na Amazônia, de Ivan Cardoso Fica Comigo Esta Noite, também de João Falcão Turma da Mônica em Uma Aventura no Tempo, de Mauricio de Sousa Outras produções previstas para começar neste ano: Bisa Bia, Bisa Bel, baseado no livro homônimo de Ana Maria Machado, com direção de Zelito Vianna Tá Dominado, comédia com roteiro de Alfredo Ribeiro e direção de Moacyr Góes Juízo, documentário de Maria Augusta Amaral Seis Crianças e um Bebê, infantil dirigido por Marcus Figueiredo O produtor já tem alguns projetos também para ser desenvolvidos em 2007 e 2008: Ladies Night, comédia romântica adaptada de um filme mexicano Treze no Caixão, comédia policial baseada no livro homônimo de Mário Feijó Um terceiro longa do Padre Marcelo Rossi Os Saltimbancos, com direção de Buza Ferraz Drácula, um Vampiro Brasileiro, comédia juvenil Iracema, com direção de Moacyr Góes A Dama do Lotação, com direção de Neville de Almeida Jó, o Mistério da Fé, filme bíblico com direção de Moacyr Góes A Excêntrica Família Silva, a primeira fita da diretora de teatro Karen Acioly http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/vejarj/250106/sumario.html Obs: No site tem fotos de filmes que eu não copiei. postado por: NANDA ROVERE 4:03 AM Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2005 As canções que você fez para nós O Estado de SP
Nesta página e na seguinte, ficcionistas de várias áreas escrevem sobre as músicas de Lennon que marcaram suas vidas A parceria John Lennon/Paul McCartney é até hoje celebrada como a mais perfeita da história da música popular mundial. As canções embalaram gerações, emocionaram e encantaram pessoas nos quatro cantos do mundo - e até hoje continuam deixando marcas nas vidas dos novos ouvintes. Nesta edição especial do Caderno 2, dedicada a homenagear John no dia em que se completam 25 anos de sua morte brutal, ficcionistas de várias áreas - escritores, dramaturgos, diretores de teatro e roteiristas de TV - foram convidados a escrever textos inspirados por alguma ou algumas das canções da carreira brilhante de Lennon. Nesta página e na seguinte, estão reunidos contos, crônicas, depoimentos, desabafos, memórias e comentários enviados ao jornal por esses convidados muito especiais. No Estado, em tributo a John Lennon, eles acabaram formando um time de 11 craques da ficção: Moacyr Scliar, Ricardo Lísias, Alcione Araújo, Marçal Aquino, Naum Alves de Souza, Marcelo Duarte, Mário Bortolotto, Alcides Nogueira, Marcelo Tas, Gabriel Villela e Fernanda Young. Lucy in the Sky... Gabriel Villela Especial para o Estado Uma criança em Carmo do Rio Claro, apenas um dos infinitos rincões de Minas. O que estava no centro das atenções do mundo demorava muito pra chegar, no final da década de 60. Em princípio, eu estava muito distante de Liverpool, apenas um dos rincões da Grã-Bretanha. Porém, apesar de tamanho 'delay', foi definitivo o chegar das imagens de Lucy in the Sky with Diamonds: árvores de tangerina, céus de marmelada, uma garota com olhos de caleidoscópio, flores de celofane, táxis de jornal, um trem, uma estação com carregadores de plástico e gravatas de vidro; o fantástico expandiu meus sentidos, rompeu meu entendimento para fronteiras onde o teatro de Shakespeare ainda não o havia feito. Apesar de talvez o único ponto em comum ser que nos encontrássemos geograficamente periféricos aos acontecimentos, posso estabelecer infinitos laços que liguem meu pensamento e inspiração aos Beatles, em especial a John Lennon. O espírito revolucionário, inconformista, contestador e ao mesmo tempo despojado, irreverente e esperançoso de Lennon é, sem dúvida, um tsunami que deixa sempre instável o centro de gravidade das minhas criações. John incomoda, espeta, grita; ao mesmo tempo cria paisagens musicais intensas, por vezes surreais, poéticas, de forma extremamente original. Progressivamente, John passou a compor a partir de suas verdades e buscando traduzir imagens do inconsciente, não mais projetando situações. Sua música rompia cada vez mais intensamente com o apolíneo em função da mensagem. Em O Nascimento da Tragédia, Nietzsche estabelece a distinção entre o espírito apolíneo e o dionisíaco; da incessante luta entre Apolo (deus da forma, beleza, ordem e lucidez) e Dionísio (deus da desmesura, da embriaguez), surge a arte. Numa decupagem um tanto simplista, o apolíneo da criação dos Beatles concentrava-se em Paul McCartney e o dionisíaco, em John Lennon. Na verdade, bem como a interação entre Apolo e Dionísio é simultânea, isto também se dá na música de Lennon: Because, Across the Universe, Strawberry Fields, Imagine, Woman são apenas alguns exemplos de um lirismo transcendente. "Viver é fácil com os olhos fechados 'incompreendendo' (entendendo mal) tudo o que se vê está ficando difícil ser alguém mas tudo se resolve não me importa muito."(Strawberry Fields Forever ). O mineiro Gabriel Villela é um dos diretores teatrais mais premiados do País. Neste ano, apresentou dois espetáculos no exterior: Fausto Zero na Rússia e Re-Apareceu a Margarida em Portugal ------------------------------ Como se fosse a última vez 22/12/96 Gabriel Villela Folha de SP Acho muito difícil falar de Cássia Eller sem usar superlativos. Uma vez, tomei um táxi em Belo Horizonte. O motorista me perguntou: ''Vai com música ou sem música?''. Respondi que com música era melhor. Então ouvi uma voz rouca, andrógina mesmo. Pensei: ''Caramba, que voz é essa? Como é possível essa indefinição? Quem está cantando assim desse jeito que me deixa desconcertado?''. O motorista, adivinhando os meus pensamentos, respondeu dentro de uma normalidade mineira estranhíssima: ''Quem está cantando é Cássia Eller. Essa moça vai longe...''. E ele tentou acompanhá-la na sua impossibilidade vocal... Coroné Antonio Bento... no dia do casamento... Corri até uma loja e comprei um CD de Cássia Eller. Até então, não sabia que seu nome _impresso nas revistas e jornais que lia_ era dono de uma voz tão poderosa e tão fascinante. Ouvi uma, duas, três vezes _e nada de chegar num acordo. Fiquei cismado... Caramba... Eu tenho a mania de botar rótulos e depois colocar os artistas que eu gosto em prateleiras. Claro que essa atitude é muito mais interior e subjetiva do que catalogá-los numa estante. Mas eu não me conformava diante daquele fenômeno... Excelências musicais Ouvi Cássia cantando e lembrei de Vicente Celestino, Cazuza, Bethânia, Elis Regina, Raul Seixas _todas essas excelências musicais que, quando cantam, parecem cantar pela última vez. Eis aí um procedimento digno dos grandes intérpretes! O que mais me enlouquece ao ouvir Cássia cantando é perceber que, além de ser uma senhora blueseira, ela consegue ser irreverente, eletrizante, carismática, debochada e dona de um feito muito especial: conseguiu interpretar Raul Seixas como ninguém havia conseguido até então. Cássia, ao cantar Renato Russo, Beto Guedes, Luiz Melodia, Itamar Assunção, Ataulfo Alves ou ela mesma, garante com certeza o futuro matriarcal da MPB. Gabriel Villela é diretor de teatro; dirigiu, entre outros, ''A Falecida'' e ''Romeu e Julieta'' postado por: NANDA ROVERE 4:01 AM FOTOS DA ESTRÉIA DE PÓLVORA E POESIA: 1 de abril de 2005
Eu e Gabriel
Eu, Fernando Neves, Gabriel e Tide (Alcides Nogueira - autor do texto) postado por: NANDA ROVERE 4:00 AM TEXTOS QUE EU FIZ SOBRE ESPETÁCULOS DO GABRIEL: PÓLVORA E POESIA É UM ESPETÁCULO IMPERDÍVEL Obs: Demais o comentário do Biel sobre o texto - fiquei emocionada!: [gabriel villela] Querida Nanda Você falou lindo sobre pólvora e poesia, sempre generosa. Valeu Gabriel Villela 08/04/2005 14:06 A estréia de Pólvora e Poesia foi uma delícia. Estavam no Tuca pessoas queridas, que compartilham com toda a equipe do espetáculo, amor pelo teatro. Claudinho Fontana e o Léo Pacheco brilharam no palco. São dois atores de muita maturidade e experência. A energia entre os dois em cena foi marcante e certamente garantirá ao espetáculo belas apresentações. O texto do Alcides,é de uma qualidade ímpar e nos proporciona momentos de distração e conhecimento (após assistir Pólvora e Poesia, comecei a me interessar pela obra de Rimbaud e por Paul Verlane). Como já disse numa matéria que escrevi sobre a montagem em 2002, a idéia de colocar um pianista -Fernando Esteves - tocando ao vivo canções de Chopin, deu 'as cenas dinamismo e valoriza a força dramática do texto. O cenário e figurino, assinados pelo Gabriel Villela, estão em harmonia com todos os outros elementos cênicos. Gabriel geralmente cria cenários cheios de simbolismos, ricos em detalhes. Para este espetáculo, no entanto, concebeu um cenário mais ¨limpo¨, mas não menos interessante. No fundo do palco tem uma porta e um painel com rasgos que nos remetem aos encontros, desencontros, dúvidas e angústias dos personagens. Na direção do Márcio Aurélio merecem destaque as marcas dos atores no palco, pois aumentam a "tensão" dramática das cenas. Ora eles estão próximos, numa comunhão de corpo e alma, ora estão distantes - sobretudo pelas dúvidas de Verlaine em assumir ou não o seu relacionamento com Rimbaud. COLUNA TEATRAL: Finalmente tirei uma foto com o queridíssimo Gabriel Villela (sempre uma graça comigo). Ele quis tirar uma foto com o Tide e com o Fernandinho Neves. Já revelei e ficou bem legal. Assim que eu conseguir escaneá-las eu as publico. Ah! Também tirei uma foto com o Léo. Já havia tirado com câmera digital, mas confesso que prefiro o papel! O teatro estava - felizmente - lotado e foi praticamente impossível conversar com todos os meus amigos: Tuna, Zé Roberto Jardim, Alex Grulli, Bel Gomes, ... Também não posso deixar de registrar a foto que eu tirei com os meus queridos amigos Daniel Maia e Helô Cintra. Quanto ao Claudinho, não tirei foto porque já temos várias juntos; fotos que eu guardo com muito carinho. Aproveito para agradecê-lo pea sua atenção. OBRIGADA! Fui ao teatro acompanhada de minha amiga Doreen, que disse ter gostado muito do espetáculo - e foi ela quem tirou as fotos! Um beijão para todos esses queridos amigos, que possuem muito talento e são super simpáticos e simples! No www.digestivocultural.com/ colunistas/coluna.asp?codigo=708 O TEXTO QUE EU ESCREVI EM 2002: ABAIXO ALGUNS TRECHOS: http://www.digestivocultural.com ...O texto, por sua vez, trata de um assunto sempre presente no cotidiano de todos os seres humanos: o amor e a busca da felicidade num mundo onde o preconceito causa guerras e destrói muitas vidas. É muito legal entrar em contato com o universo poético de dois artistas que expressaram muitas bem as contradições e angústias dos homens, não só do século XIX (período em que eles viveram), mas de todos os tempos. A rebeldia de Rimbaud na luta contra os princípios de certo e errado estabelecidos pela sociedade certamente é um dos maiores encantos do poeta e enriqueceu muito a sua poesia. E, Paul Verlaine, na sua indecisão entre romper barreiras ou continuar submisso às regras da sociedade, vivendo acomodado no conforto familiar e usufruindo de privilégios por pertencer à elite intelectual francesa, torna o personagem extremamente interessante. Para viverem a sua paixão, Verlaine e Rimbaud não só enfrentaram muitos preconceitos como também magoaram pessoas próximas a eles (Verlaine era casado e morava na casa do sogro), e a si mesmos. Verlaine não consegue abandonar definitivamente a sua esposa e se entregar à paixão. Acaba cometendo um crime contra Rimbaud, mas buscou, a seu modo, a liberdade e a irreverência que tanto admirava no mesmo. O que seria da poesia moderna se esses dois gênios da literatura não tivessem ultrapassado os limites do que a sociedade julga como certo ou errado? Verlaine e Rimbaud foram fiéis aos seus sentimentos e demonstraram, através de suas criações literárias e relacionamento, a importância de nos rebelarmos contra os dogmas sociais quando acreditamos na possibilidade de uma vida mais feliz através da conquista da liberdade. Por mais que o homossexualismo não seja o ponto central de "Pólvora e Poesia", obviamente isso enriquece muito o texto, pois somente o respeito às diferenças salvará o mundo da destruição, e, certamente, o maior mérito das montagens que tratam de questões como o homossexualismo (óbvio que "Pólvora" transcende essa questão!) é demonstrar que a busca da felicidade e do amor independe de sexo, cor e classe social. A arte pode não ter o poder de transformar o mundo (será que não tem mesmo?), mas ela pode, sim, contribuir para o desenvolvimento do senso crítico dos seres humanos e nos proporcionar o aprimoramento do nosso conhecimento. Quem se interessa por poesia e por um teatro que trata profundamente as angústias e desejos humanos, não pode perder esse belíssimo espetáculo. Vale a pena conferir "Pólvora e Poesia" e conhecer um pouquinho mais do universo desses poetas que revolucionaram a poesia francesa --------------------------------------- Escrevi um texto bem legal sobre Sonho de Uma Noite de Verão, que eu assisti dia 10 de agosto no Sesi SP. Ótimo se eu não o tivesse deletado sem querer! Perdi o texto e tive que escrever novamente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Sonho de Uma Noite de Verão estreou no Festival de Teatro de Curitiba em 2002 e desde então vem encantando o público e a crítica. O reconhecimento veio com os Prêmios Sesc/Sated de Melhor Espetáculo e de Melhor trilha Sonora. Como na maioria dos trabalhos do Gabriel, estão presentes em cena aspectos da cultura e do imaginário do povo mineiro, a linguagem circense - sobretudo o clown - e o bom humor. Não deve ser fácil transformar em linguagem "de dança" um texto tão rico em detalhes como "Sonho", mas a linguagem corporal dos bailarinos é tão criativa que, na maioria das vezes, a palavra se torna desnecessária. Quem não conhece esta obra de Shakespeare pode ter alguma dificuldade para o entendimento da trama, mas isso não prejudica em nada a qualidade do espetáculo. Sonho de Uma Noite de Verão desperta encantamento e emoção. Não sou especialista em dança, mas os bailarinos conseguem transmitir todo o lirismo presente na direção de diretor e na coreografia de Cristina Machado. O cenário é simples. A preocupação de Gabriel em valorizar a cultura popular está expressa principalmente no figurino, onde Gabriel utilizou panos produzidos em tear manual na cidade de Carmo do Rio Claro/MG, cidade natal do diretor. A trilha sonora mistura elementos populares e eruditos, como as músicas É o Amor de Zezé de Camargo e Luciano e valsas. Destaque especial para o trabalho de arranjo realizado por Daniel Maia. Gabriel diz que quando ele está criando o seu lado criança aflora... No dia em que eu assisti "Sonho" eu estava meio triste, mas saí do teatro revigorada! Dia 24 de setembro a Cia estreou em Belo Horizonte o seu mais novo espetáculo: Coreografia de Cordel. O projeto é resultado de uma pesquisa realizada na região do Vale do Jequitinhonha - Norte de MG (uma das cidades visitadas pelos bailarinos e equipe técnica foi Araçuaí, terra natal da minha amiga Janice). Para possibilitar ao público o acesso a informações sobre o processo de elaboração de Coreografia de Cordel a Cia de Dança Palácio das Artes lançou o Hot Site Coreografia de Cordel e um fotolog. A trilha desta vez é original e foi composta pelo Daniel Maia. PS: Tive o privilégio de conferir Sonho de Uma Noite de Verão ao lado do Danie! Após a apresentação houve um debate com os bailarinos e com a coreógrafo. Todos são muito talentosos e simpáticos! ------------------------------------- GABRIEL encantou o público com montagens de textos de Chico Buarque Dia 19 de junho o cantor e compositor Chico Buarque faz 60 anos. PARABÉNS A ESSE GRANDE ARTISTA!!! Desde pequena escuto as músicas do Chico, mas eu fui descobri toda genialidade de suas criações na época em que eu fazia teatro. As músicas do Chico tocam fundo na minha alma, me emocionam, me alegram, me fazem refletir...Ele sempre conseguiu mesclar músicas mais românticas com músicas mais políticas, isso sem ir pro lado da panfletagem ou do amor jocoso. Em todos os momentos de minha vida as músicas do Chico estiveram presentes e eu espero que elas continuem a iluminar a minha vida! Mas não é somente como cantor e compositor que eu admiro o Chico. Gostei bastante dos seus livros Estorvo, Benjamin e Budapeste. Não são livros fáceis de se compreender, mas possuem qualidade literária e contam histórias interessantes. Outro livro, infantil, muito interessante é o Chapeuzinho Amarelo, que trata dos medos e inseguranças que todos nós, crianças ou adultos temos em nossas vidas. Que o teatro é a grande paixão de minha vida eu nem preciso dizer, por esse motivo, as peças teatrais assinadas pelo Chico me encantam bastante. Tive o privilégio de assistir Ópera do Malandro, Os Saltimbancos (também encenado em Portugal com o grupo Seiva Trupe) e Gota D'Água, todas dirigidas pelo Gabriel Villela. Foram três montagens inesquecíveis e perfeitas. Gabriel consegui realizar trabalhos extremamente sensíveis. As canções do Chico foram interprtetadas por atores/cantoras fenomenais e os cenários e figurinos eram impecáveis. Gabriel conseguiu mostrar que as obras continuam atuais e dar a elas uma nova vida e uma beleza cênica especial. Em Ópera do Malandro, Geni (Sérgio Rufino) interpretando Geni e o Zeppelin foi a cena mais bonita que eu já vi no teatro! Não é a toa que eu coloquei a homenagem ao Chico aqui. CHICO BUARQUE E GABRIEL VILLELA SÃO AS MINHAS GRANDES PAIXÕES NA ARTE e ambos conseguem criar com muita delicadeza, sensibilidade e genialidade. Digo que o Gabriel estabeleceu o "tempo da delicadeza" no teatro porque ele gosta da música Todo Sentimento do Chico... O Chico é um gênio da sensibilidade e lirismo na música e o Gabriel, no teatro! ALÉM DISSO, COMPARO O ESPETÁCULO ROMEU E JULIETA COM O GALPÃO À MÚSICA BEATRIZ: AMBOS SÃO MOMENTOS MÁGICOS DA CRIAÇÃO ARTÍSTICA: BELOS, GENIAIS E EXTREMENTE LÍRICOS Um abraço a todos que participaram dos espetáculos: Ópera do Malandro, Os Saltimbancos e Gota D'Água! Um abraço especial ao Leonardo Diniz, Daniel Maia, Eduardo Reyes, Fernando Muzzi, Babaya, Nábia Villela e Marcelo Varzea, que eu tenho amizade e um contato mais frequente (os admiro como artistas e seres humanos). postado por: NANDA ROVERE 3:50 AM MAIS TEXTOS: FAUSTO ZERO: Há mais ou menos um mês tive o privilégio de assistir ao espetáculo "URFAUST" Fausto Zero, obra de Goethe, com direção de Gabriel Villela. Tecer considerações sobre os espetáculos dirigidos pelo Gabriel não é muito fácil, pois todos os seus trabalhos são ricos em detalhes (e isso é certamente uma de suas maiores qualidades como profissional). A minha vontade de conferir Fausto era tão grande que fui ao teatro mesmo prestes a operar uma catarata. Por esse motivo, acabei perdendo alguns momentos interessantes pela dificuldade em estar visualizando nitidamente elementos importantes do espetáculo. Assistindo pela segunda vez, domingo 23 de maio, eu pude contemplar nitidamente todo o espetáculo. Recomendo que todos se dirijam ao Espaço Promon para festejar, junto coma atriz Walderez de Barros, os seus quarenta anos de profissão, bem como se deliciar com a beleza dos cenários, dos figurinos, do texto, da trilha sonora e com o talento dos atores. Walderez está estupenda como Fausto, e Maria do Carmo Soares também brilha na interpretação de alguns personagens que servem de apoio. Comecei a admirar a atriz Vera Zimmermann nos espetáculos do Gabriel e o seu talento me surpreende cada vez mais. Os demais atores estão corretos no desenvolvimento dos seus personagens. A trilha sonora original, criada pelo músico mineiro Daniel Maia, é uma das qualidades da montagem.Tudo é muito sensível; a trilha enriquece muito a ação dramática. Elas possuem algo de barroco, uma espécie de mistura entre o sagrado e o profano... A idéia de colocar as cantoras Nábia Villela e Chiris Gomes interpretando as canções proporcionou à trilha um brilho especial. Com relação ao cenário, vale destacar a presença de um tear no centro do palco. Trazido de Carmo do Rio Claro/MG, cidade natal de Gabriel Villela, ele evidencia toda a "mineiridade" presente na trajetória profissional do diretor. Figurino e iluminação também merecem aplausos, pois estão em perfeita sintonia com os outros elementos do espetáculo.A história de Fausto é tocante, pois o ser humano muitas vezes, ao buscar o poder, abdica do amor, do respeito e da felicidade. Certamente transpor para o palco o mito de Fausto, que vende a sua alma ao diabo, não é uma tarefa fácil. Gabriel conseguiu um resultado interessante. Em Fausto Zero, a cena do pacto (a qual ocorre na segunda parte da obra de Goethe) não está presente. Isso, no entanto, é resolvido com competência nesta montagem. As cenas envolvem o espectador pela sua beleza plástica e riqueza de detalhes, característica presente nos trabalhos de Gabriel Villela. Fantoches - que eram utilizados em encenações do texto ¿ são manipulados pelos atores e contribuem para dar à montagem um caráter popular. Além disso, a densidade do texto é quebrada pela opção de trabalhar com o estilo circense e com a commedia dell'arte (valorizada com a presença do ator italiano Alvise Camozzi no elenco). Saí do teatro e não consegui parar de pensar sobre as escolhas que fazemos em nossa vida. Cabe a nós ¿tecermos¿ um mundo mais justo e para isso é preciso valorizar, cada vez mais, a amizade e o respeito ao próximo. Fausto Zero ficará em cartaz até 27 de junho e merece ser visto.ESPAÇO PROMON Av. Pres. Juscelino Kubtischek, 1.830 - Itaim Bibi - São Paulo - SP.11-3847-4111 Temporada até 27 de junho de 2004 ------------------------ Quinta-feira, 12/12/2002 Circo e teatro se unem em espetáculo Nanda Rovere + de 800 Acessos Está em cartaz em São Paulo mais um texto do dramaturgo Alcides Nogueira, A Ponte e a Água de Piscina. Alcides ganhou o Prêmio Shell 2002 pela autoria de Pólvora e Poesia que trata do relacionamento amoroso entre os poetas franceses Rimbaud e Paul Verlaine e foi um dos maiores sucessos da temporada teatral paulistana de 2001 e 2002. A Ponte e a Água de Piscina, que faz temporada no Centro Cultural Banco Brasil, é mais uma parceria entre Alcides e o diretor teatral Gabriel Villela. Em 1996 Gabriel dirigiu Ventania. O espetáculo era uma homenagem de Alcides e Gabriel a José Vicente, autor de textos teatrais que fizeram sucesso nos anos 70 como Santidade e Hoje é Dia de Rock. Ventania falava dos sonhos e valores dos jovens nos anos 60 e 70 através da história de uma família fragmentada em virtude da dificuldade de diálogo entre os seus membros. Já em A Ponte e a Água de Piscina, Alcides mergulha intensamente no amor, na loucura e na solidão dos seres humanos. Num lugar assolado pela seca e pela guerra, a ex-prostituta Sóror Justina, interpretada por Walderez de Barros, e sua ingênua filha Pia (Vera Zimmermann), habitam um mosteiro abandonado (transformado em sanatório por Sóror) e sobrevivem vendendo pó de ossos de animais. O cotidiano tedioso das duas se modifica com a chegada de Nil, um jovem que sonha em construir uma ponte em cima de uma piscina (sem água) existente no lugar. Sóror Justina transita entre a loucura e a solidão e não consegue aceitar a paixão que nasce entre sua filha e o forasteiro. Justina se informa sobre o que acontece no mundo pela Internet e usa a tecnologia para dominar as pessoas. O real e o imaginário se misturam. É via computador, por exemplo, que ela ressuscita Maria do Canto (Nábia Villela), uma ex-freira que vaga pelo convento e entoa belas canções. O mundo em ruínas pode ser qualquer lugar onde a guerra, a solidão e a falta de perspectiva de mudanças dominam, inclusive, o Brasil, como uma bandeira do Brasil que faz parte do cenário, nos induz a pensar. O amor de Nil e Pia, por sua vez, é a esperança de um mundo mais harmonioso e ele só poderá ser alcançado com a construção da ponte. A relação entre Pia e Nil não suporta, no entanto, as pressões (eles são meio irmãos e Justina não aceita a relação amorosa entre os dois), mas um fio de esperança renasce com a morte dos amantes. Talvez seja um dos trabalhos onde Alcides Nogueira mais alçou altos vôos. A concepção cênica do Gabriel entrou em perfeita sintonia com a obra de Alcides, pois expressa brilhantemente as idéias contidas no texto. Para contar essa história Gabriel Villela escolheu o estilo circense, a interpretação não-realista (a qual tende para o melodrama e para o humor tragicômico, que muitas vezes beira o ridículo). Algumas cenas encantam pela criatividade do diretor e envolvem o espectador pela sua beleza plástica e riqueza de detalhes. Fantoches, por exemplo, são manipulados pelos atores e enriquecem a ação dramática. Mesmo quem não aprecia o seu estilo de encenação, certamente não deixará de concordar que um dos méritos de Gabriel é contar com uma equipe técnica de muita qualidade em todos os seus trabalhos, a qual colabora em suas produções há bastante tempo. No elenco somente a atriz Walderez de Barros nunca havia sido dirigida por Gabriel. Ela está hilariante no papel de Sóror Justina e é responsável por momentos marcantes no espetáculo. As atuações de Claudio Fontana, Vera Zimmermann e Nábia Villela também estão impecáveis. O figurino, assinado por Gabriel, prima pela beleza e faz um contraponto ao cotidiano árido e tedioso dos personagens. O cenário de JC Serroni (o qual já foi parceiro do diretor nas montagens de Ópera do Malandro, Os Saltimbancos e Gota D'Água) é muito interessante e remete o público a um circo, a um sanatório, ou até mesmo, a um bordel. O desenho de luz criado por Guilherme Bonfanti (o iluminador também participou de Ópera do Malandro, Os Saltimbancos e Gota D'Água) ressalta o misto de imobilidade e esperança, alternando cenas de iluminação intensa e, outras, de pouca luz. A trilha sonora, elemento importantíssimo em todas as montagens de Gabriel, é um destaque à parte. Nábia, com sua voz privilegiada, interpreta, à capela, canções antigas como um trecho de Hino ao Amor (que já foi gravada por Edith Piaf e Dalva de Oliveira), Meu Primeiro Amor e Lágrima (de Amália Rodrigues), muitas delas esquecidas por nós e revividas com maestria; ora expressando melancolia, ora inserindo um pouco de vida e lirismo ao mosteiro/sanatório. Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Abelardo e Heloísa, Pia e Nil... Criações literárias que enriquecem a arte e retratam seres obstinados na busca da conquista dos seus ideais. O espetáculo sairá de cartaz em virtude das festividades de final de ano, mas voltará para uma curta temporada em janeiro de 2003. A Ponte e a Água de Piscina é um texto extremamente metafórico e permite ao espectador várias interpretações! Só é possível entender a complexidade e atualidade da A Ponte e a Água de Piscina prestigiando essa belíssima montagem. Para ir além A Ponte e a Água de Piscina Autor: Alcides Nogueira Direção e figurinos: Gabriel Villela Cenário: JC Serroni Elenco: Walderez de Barros, Claudio Fontana, Vera Zimmermann, Nábia Villela e Eduardo Reyes (substitui Cláudio Fontana em algumas apresentações) Local: Centro Cultural Banco do Brasil R. Álvares Penteado, 112 - Tel.: (11) 3113-3651 Ingresso: R$ 15,00 Horários: de quinta a domingo, sempre às 19h30 Nanda Rovere São Paulo, 12/12/2002 -------------------------- O Grupo Galpão no Shakespeare's Globe O Grupo Galpão, um dos mais importantes grupos de teatro do Brasil, estará até o dia 23 de julho em Londres apresentando o espetáculo Romeu e Julieta, dirigido por Gabriel Villela, no Globe (teatro onde Shakespeare encenava suas peças teatrais) reinaugurado em 1996. Romeu e Julieta foi apresentada em 1996 no Parque Batursea em Londres e encantou os espectadores, por isso, o Grupo foi convidado a apresentar o espetáculo no festival que comemora os 500 anos do Brasil. Encenado na rua, inspirado na linguagem de Guimarães Rosa e de Minas, utilizando elementos da cultura popular nos figurinos, músicas e cenário (os atores representam em cima de pernas de pau numa veraneio); o espetáculo é um momento mágico da criação artística. O Globe Theatre foi construído entre 1598 e 1599 no período do reinado de Elisabeth I. Naquele período a tentativa de se estabelecer no país a religião Anglicana impulsionou o desenvolvimento do teatro, o qual estava inserido num pensamento de valorização da arte clássica renascentista e preocupação com a identidade nacional. Certamente influenciado por este momento histórico, Shakespeare criou textos teatrais onde o tema central é o homem com seus problemas, grandezas e fraquezas. Pouco se sabe sobre a vida de Shakespeare, somente que nasceu em abril de 1534 em Strattford-Upon-Avon (Inglaterra) e que em 1542 era dramaturgo conhecido em Londres onde se tornou sócio do Globe Theatre trabalhando como ator e dramaturgo com o grupo Chamberlain's Men. Mesmo sendo palco de grandes apresentações teatrais o teatro foi demolido em 1644. Durante aproximadamente três séculos pouco se soube sobre a existência do teatro em virtude da escassez de registros documentais de sua existência . Em 1969 o ator americano Sam Wanamaker idealizou um projeto de reconstrução do local, mas dificultada por problemas políticos, somente à partir de 1987 a sua reconstrução (réplica do original) começou a ser realizada num local perto de onde o Globe existiu e com técnicas e alguns materiais do período elisabetano. Baseada em pesquisas arqueológicas a reconstrução foi a cópia mais fiel possível da construção original e após quatro anos de sua inauguração é um dos pontos culturais e turísticos mais importantes da cidade de Londres. Procurando resgatar o espírito do século XVII, as montagens realizadas no Globe costumam trabalhar só com elencos masculinos procurando ser o mais fiel possível ao estilo de representação da época de Shakespeare. As peças são encenadas com luz natural e com músicas executadas ao vivo; a bandeira do teatro é hasteada durante as apresentações. O teatro funciona praticamente ao ar livre e é aberto ao público somente de maio a setembro. Além do espaço para apresentações teatrais, o Globe possui uma biblioteca, um centro de educação e exposição permanente sobre Shakespeare. É a primeira vez que um grupo brasileiro se apresenta no Globe. Segundo Mark Rylance, diretor artístico do Globe, todos os anos uma companhia estrangeira é convidada a se apresentar no teatro e a escolha do Galpão se deu em virtude do grupo apresentar Shakespeare à partir de elementos da cultura brasileira, além de ter como preocupação levar o espetáculo para a rua; recuperando um aspecto importantíssimo do teatro produzido por Shakespeare que era tornar o teatro acessível à toda a população. Não poderiam ter convidado outra montagem para melhor representar o Brasil em Londres, pois Romeu e Julieta é um espetáculo encantador que pela sua originalidade e beleza cênica emociona quem o assiste. É uma honra para o nosso país possuir um grupo talentoso como o Grupo Galpão, que através de suas montagens contribui para a valorização e difusão de nossa riqueza cultural no Brasil e no exterior. -Folha de São Paulo, Caderno Ilustrada, 10 de junho de 2000.Grupo mineiro de rua vai ao teatro de Shakespeare. Autor: Otávio Dias. -Folha de São Paulo, Caderno Ilustrada, 18 de setembro de 1994 . "O Renascimento do Globe". Autor: Sérgio Malbergier. Site: www.shakespeares-globe.org Site: culturabrasil.art.br/galpao postado por: NANDA ROVERE 3:21 AM Comments: Sexta-feira, Janeiro 20, 2006 Re)Apareceu a Margarida EM RECIFE data: Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2006 hora: 19:00 local: Teatro de Santa Isabel cidade: Recife detalhes: Janeiro de Grandes Espetáculos Dia 26 (quinta) ¿ Teatro de Santa Isabel, 19h (Re)Apareceu a Margarida (ENTREtanto TEATRO/Portugal) Texto Roberto Athayde. Direção de Gabriel Villela (responsável por um dos maiores sucessos do teatro brasileiro, ¿Romeu e Julieta¿, com o Grupo Galpão). Com o ator Júnior Sampaio, de nacionalidade brasileira/portuguesa. Uma severa professora transforma a platéia em alunos de uma sala de aula para discutir e criticar uma sociedade oprimida em meio a práticas terroristas. Informações pelos tefefones 81 3421-8456, 81 3423- 3186 ou através do site www.janeirodegrandesespetaculos.com
Re)Apareceu a Margarida postado por: NANDA ROVERE 5:24 PM Antologia pessoal Domingo, 30 de Janeiro de 2005 Antologia pessoal Gabriel Villela é diretor de teatro. Mineiro, é dele a premiada montagem de Romeu e Julieta do Grupo Galpão, de BH, elogiada pela crítica inglesa ao ser apresentada no Globe Theater. Dirigiu dezenas de peças, entre elas a bela Ventania, de Alcides Nogueira, e os musicais Ópera do Malandro e Os Saltimbancos, sucessos de público. Sua direção mais recente foi da peça Fausto Zero, de Goethe, com Walderez de Barros no papel central. Que atores ou atrizes cujo trabalho em teatro você acompanha? Atrizes: Andrea Beltrão, Ângela Dip, Bel Garcia, Berta Zemel, Bete Coelho, Bibi Ferreira, Carol Badra, Cláudia Gimenez, Cláudia Mello, Cláudia Schapira, Cláudia Valle, Cleide Queiroz, Cleyde Yáconis, Cristina Mutarelli, Débora Duboc, Denise Del Vecchio, Drica Moraes, Fernanda Torres, Guida Vianna, Grace Giannoukas, Laura Cardoso, Lilia Cabral, Lu Grimaldi, Lucia Romano, Magali Biff, Malu Galli, Malu Pessin, Malu Valle, Maria Alice Vergueiro, Maria do Carmo Soares, Maria Padilha, Mariana Muniz, Marieta Severo, Marlene Fortuna, Noemi Marinho, Regina Duarte, Renata Sorrah, Roseli Silva, Rosi Campos, Silvia Pogetti, Vera Fischer, Vera Mancini, Vera Zimmermann, Xuxa Lopes, Zezeh Barbosa e, é claro, Walderez de Barros. Atores: Alexandre Schumacher, Alvise Camozzi, Cacá Carvalho, Cassio Scapin, César Augusto, Claudio Fontana, Dan Stulbach, Diogo Vilela, Élcio Nogueira Seixas, Eduardo Silva, Enrique Diaz, Eriberto Leão, Ewerton de Castro, Fernando Eiras, Fernando Neves, Genésio de Barros, Jairo Mattos, Jorge Emil, José Rubens Chachá, Leonardo Diniz, Leopoldo Pacheco, Lourival Prudêncio, Luciano Chirolli, Luiz Mello, Marcelo Boffa, Marcos Oliveira, Marcelo Olinto, Marcelo Várzea, Marco Nanini, Matheus Nachtergaele, Norival Rizzo, Paulo Ivo, Ranieri Gonzalez, Sergio Rufino, Stênio Garcia, Umberto Magnani e Walter Breda. Qual o diretor de teatro cujo trabalho admira em especial? Antunes Filho e José Celso Martinez Corrêa, os "novos vinhos" que fizeram explodir as "velhas garrafas". Dê um exemplo de criador teatral (intérprete, diretor ou dramaturgo) muito bom, mas injustiçado. "I njustiçado": essa palavra pesa no momento... É melhor aplicá-la à penúria e ao descaso que vive hoje o teatro brasileiro, né PT? "Presidente, "tratai bem os atores; eles são a síntese e a crônica da humanidade." (Hamlet, Shakespeare) Cite uma montagem teatral que tenha frustrado suas melhores expectativas. Hamlet, de Peter Brook. E uma criação teatral surpreendente: boa e pela qual você não dava nada? Não é verdade que não dava nada, mas Novas Diretrizes em Tempos de Paz, de Bosco Brasil, impressionou-me imensamente. A cena brasileira tem algumas montagens teatrais antológicas. Cite algumas que tenham sido marcantes em sua vida. De Antunes Filho: Macunaíma, Nelson 2 Rodrigues e Vereda da Salvação. De Zé Celso: Hamlet, Cacilda! e Boca de Ouro. De Luiz Carlos Vasconcelos: Vau da Sarapalha. De Maria Helena Lopes: Os Reis Vagabundos e Crônica da Cidade Pequena. Do Pessoal do Victor: Na Carrera do Divino. As Lágrimas Amargas de Petra von Kant com Fernanda Montenegro, Juliana Carneiro, Renata Sorrah, direção de Celso Nunes. De Ulysses Cruz: Velhos Marinheiros. Lua de Cetim, de Alcides Nogueira, direção de Marcio Aurélio. Gota d'Água, com Bibi Ferreira. O Passaro Poente de Soffredini com Paulo Yutaka, direção Marcio Aurélio. A Máquina, de Adriana Falcão, com direção de João Falcão. A Aurora da Minha Vida, de Naum Alves de Souza. Que montagem lhe fez mal, de tão perturbadora? A Trilogia Antiga, de Andrei Serban, me fez mal, no "melhor sentido". A Tempestade, de W. Shakespeare, by Globe Theater com interpretação inesquecível de Vanessa Reedgrave. Londres 2001, Clitemnestra com Juliana Carneiro, Teatre du Soleil, Paris 1999. E que espetáculo teatral mais o fez pensar? O Canto de Gregório, de Paulo Santoro, direção de Antunes Filho. Tenho pensado muito nesse espetáculo. Comédia é um gênero menor? Se a resposta for negativa cite uma peça maior do gênero. Se for positiva, diga porquê. Comédia é só o outro lado da tragédia. Não é menor nem maior. Cito as peças interpretada por Claudia Gimenez, a maior comediante viva dos palcos brasileiros, e Porca Miséria, de Marcos Caruso e Jandira Martini, com a inesquecível Myriam Muniz. Cite uma peça difícil, mas boa . Anjo Duro, um espetáculo de Luiz Valcazaras, com a maravilhosa atriz Berta Zemel. E uma montagem que imagina ter sido muito boa e você não viu. A Trilogia Bíblica, dirigida por Antônio Araújo - Teatro da Vertigem . Tauromaquia com direção de dra. Maria Thaís. Um espetáculo difícil, mas inesquecível Partido do grupo Galpão, com direção de Cacá Carvalho . Que peça escrita nos últimos dez anos mereceria, para você, um lugar na história do teatro brasileiro? Novas Diretrizes em Tempos de Paz, de Bosco Brasil; Pólvora e Poesia, de Alcides Nogueira; Bella Ciao, de Luís Alberto de Abreu; Hoje É Dia de Rock, de Zé Vicente; Na Carrera do Divino, de Carlos Alberto Soffredini; A Máquina, de Adriana Falcão e Aurora da Minha Vida, de Naum Alves de Souza . De qual texto dramático clássico brasileiro, de qualquer época, você recomendaria encenações constantes? O Mambembe, de Artur Azevedo; Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues; O Pagador de Promessas, de Dias Gomes; Santo Milagroso, de Lauro César Muniz; Navalha na Carne, de Plínio Marcos e O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Que peças ou autores (brasileiros ou estrangeiros) sempre presentes nos cânones não mereceriam seu voto? E um sempre ausente no qual você votaria? Quem sou eu para votar, prima? Um pouco de dialética neste instante faria bem para todos nós brasileiros: Brecht e seus filhotes ilustres (Heiner Muller) estão voltando... Que montagem (ou ator, autor, diretor) festejado pela crítica você detestou? Veja bem, não detestei, mas cito Alta Sociedade, de Mauro Rasi, com Fernanda Montenegro e Ítalo Rossi. Três grandes nomes e um resultado frustrante. Aborreci. E de que montagem (ator, diretor, autor) demolida por críticos você gostou? Dario Fô diz: "O crítico é aquele para quem você aponta a lua e ele não vai além de uma análise superficial da cutícula da unha do dedo indicador." A ferocidade dos críticos não me afeta. Oriento-me por toques mais nobres. Que virtude mais preza no bom teatro? Nos tempos que correm, a maior virtude do teatro é o fato de ser ele como o "rato do deserto", habituado a viver com pouca água. E o que mais o incomoda no mau teatro? Não há mau teatro. Teatro não faz mal. O que há são maus administradores e políticos da cultura, quer exemplo? Como pode uma cidade como Belo Horizonte ter acabado de extinguir a Secretaria Municipal de Cultura? É inadmissível, vergonhoso e "muito jeca". postado por: NANDA ROVERE 5:00 PM CANTATA DE NATAL http://www.carmodorioclaromg.com.br O Rotary Clube e Casa da Amizade de Carmo do Rio Claro no 2º ano consecutivo está promovendo a Cantata de Natal, inspirado nas performances de Curitiba. O Coral é composto por 34 garotos sob o comando de Paulinho Carielo. Começou sábado dia 17/12 debaixo de muita chuva, a multidão emocionou e aplaudiu o evento natalino que promete ser o maior evento de toda região. No domingo as luzes da cidade se apagaram, mas o espírito Natalino segurou a multidão durante 2 horas de atraso. Nos dias 23,24 e 25 as apresentações seguem com seu ritmo normal. Não podendo esquecer que este espetáculo está acontecendo em comemoração ao Aniversário de 100 anos do Rotary Clube Internacional e dos 35 aos do Rotary Clube em Carmo do Rio Claro.
Das 11 janelas, os pequenos cantores soltaram suas vozes emocionando um público mesclado de carmelitanos e turistas.
A atriz Walderez Barros (Adelaide, da Novela Alma Gêmea), abriu o evento encantando a todos com a sua simpatia.
O Presidente José Bento Santana, recebeu o abraço de agradecimento da prima, a atriz Maria do Carmo Soares, e ao lado Walderez que observava atenta. Os Rotarianos, Benedito Pereira e Jair Soares ao lado das atrizes assistiram ao espetáculo com atenção.
Gabriel Villela, Walderez e as crianças fizeram poses para a posteridade. NO http://www.carmodorioclaromg.com.br/coberturas.htm (CLICAR EM CANTATA DE NATAL 2005) vocês verão 52 fotos do evento. ------------------------------------------------------------------ 1 Exposição de Mesas Festivas, no Ateliê Aline & Júnior : A curadora do evento, Ana Amélia Menna de Castro Ferreira,ladeada pelo casal Aline, Júnior o empresário Marcelo Pimenta e o decorador Helinho Oliveira.
A mesa de Gabriel Villela foi uma polêmica só. Fugiu do colorido das outras, mas deu o seu recado com a sua criatividade cênica.
Gabriel Villela com a atriz Valderez Barros, nos bastidores da cantata de Natal ( Escola Santo Antônio).
Gabriel Villela abraçou com carinho os pequenos cantores da cantata de Natal , Otávio e Jorge após a apresentação de estréia. http://www.carmodorioclaromg.com.br/coluna04-01-06-18.htm I Exposição de Mesas Festivas O elegante Ateliê Aline & Júnior em parceria com Ana Amélia de Castro Ferreira promovem durante todo mês de dezembro a 1 Exposição de Mesas Festivas, com coquetel de abertura no dia 02 de dezembro. As mesas serão decoradas por personalidades da sociedade carmelitana e cidades vizinhas. Aliás as mesas estão sendo fabricadas para este evento. Inspirada na tradicional Exposição de Mesas de Natal Carioca realizada há 22 anos consecutivos, será reservado um espaço em homenagem ao trabalho das idealizadoras Maria José Magalhães Pinto e Maria do Carmo Borges. A mostra estará aberta a todos, basta a doação de 1 kg de alimento não perecível que serão entregues a Conferência São Vicente de Paulo. MESAS FESTIVAS 11 Os criativos de diversos segmentos apoiaram a proposta de Aline, Júnior e Ana Amélia e aderiram à idéia que vai deixar o natal por aqui com mais glamour. Afinal, os participantes fazem uma mistura perfeita do clássico, estilizado e até mesmo do barroco. Eis os nomes Gabriel Villela/Cláudio Fontana e Luís Mazzarolo; Ana Amélia/Marcelo Pimenta e Helinho Oliveira; Heloisa Marques Pereira e as filhas Andréia e Helena; Marcos Ajeje e sua Tereza; Conceição Noronha e a filha Tonia; Maria Ângela Fernandes Pereira da Movelaria Mineira; Edgar Santana Silva; Omar Nogueira. postado por: NANDA ROVERE 4:59 PM Antonio Júnior A ARTE CERTA ¿Elogiar o que está bem é uma prova de muito mais finura de espírito do que depreciá-lo¿ (Arcebispo John Tillotson, Máximas e Discursos Morais e Religiosos, 1719) É bem sabido que a arte brega, cafona, vazia de conteúdo, também prolifera nos países ditos civilizados. Para confirmar basta ouvir Céline Dion, a popular chorona do Canadá; ver o mega sucesso hollywoodiano Uma Mente Brilhante ou ler o best-seller inglês O Diário de Bridget Jones, de Helen Fielding. São produtos babões dos interesses da indústria cultural. Na verdade, o mau gosto faz parte da história da humanidade, apesar de que nunca esteve tão próximo de tornar-se o próprio sentido dela. Para o australiano Robert Hughes, o crítico de arte mais influente do planeta, as artes plásticas da última metade do século XX não lançou nenhum movimento inovador ou qualquer aprendiz de gênio e os seus artistas, com raríssimas exceções, serão soterrados pelo tempo. É uma afirmativa pouco benévola, mas Francis Bacon, Jackson Pollock, Paul Klee, Matisse, Marcel Duchamp, Lucien Freud ou Alberto Giacometti são de época anterior a incluída nesta impiedosa análise. No entanto, para não repetirem a acusação que só preocupo-me com a criação que vem do estrangeiro, dedico este ensaio aos desvarios da banalidade do show business tupiniquim. Sim, tudo atualmente por aqui é show business, mesmo faltando o charme insano de Carmen Miranda cantando a Aquarela do Brasil ou do teatro rebolado de Virgínia Lane. Pra começar, confesso que não tenho televisão, portanto confundo todas essas louras oxigenadas, afrodisíacas e bombadas que cantam, dançam, apresentam programas, namoram jogadores de futebol, fazem novelas. Chamo-as, uma por uma, de Carla Perez. Parecem-me travestis fingindo feminilidade, prostituindo-se numa imensa avenida mal-iluminada que atravessa os nossos lares. Gostosa de verdade era a Odete Lara. Sou da geração da Xuxa, de quando ela fazia filmes eróticos e ganhava presentes do Pelé, e considero-a uma das piores infâmias nacionais contemporâneas, responsável por um exército de crianças alopradas, hipnotizadas pelo marketing e pela desinformação. Também o que se pode esperar de uma mulher com olhos tão tristes, repetindo o eterno personagem da figura leve e graciosa, que tem uma filha praticamente clonada e não pode revelar publicamente sua vida sentimental? Não deixa de ser uma valente, eu já teria suicidado-me ao vivo, diante das câmaras. Antes mandaria todo mundo à merda. Para que o leitor não me ofenda e me chame de misógino, veado e outras injúrias piores, alerto que também não entendo patavinas desses ¿sarados¿ que rebolam, participam de reality shows, estão nas capas de revistas. Sei que o talento é zerado, nem preciso discutir, mas o sex-appeal é pior ainda, se é que existe. O único cantor nosso com menos de 50 anos que tem um certo fascínio sexual, é o Tony Garrido, da ótima banda funk Cidade Negra. Ninguém mais; podem balançar o rabo a vontade. Ok, estamos falando de arte, não vamos escorregar para a baixaria de outros pontos de vista, afinal como se costuma dizer, ¿quem ama o feio, bonito lhe parece¿. Basta ver a idolatria adolescente em torno do mundo da moda, povoado por modelos sem qualquer fartura carnal, magricelos, anoréxicos e andróginos, estabelecendo suas próprias limitações. Ainda por cima bem pagos e influenciando uma camada de jovens caipiras que acreditam que ser belo é parecer fisicamente com a invenção quase abstrata de costureiros gays. Até onde vão parar as coisas ninguém saberá dizer. Deveria ser proibido modelo ou jogador de futebol ganhar acima de dois salários mínimos, e outra lei limitaria a exposição exagerada destes na mídia, aí quem sabe veríamos a possibilidade de outros caminhos menos banais e jecas para a nossa juventude transviada. Sim, sim, vamos a arte, caro leitor, se ainda me suporta. Devo dizer que a cultura do Brasil tem muita importância para mim e tenho uma queda pelos inventivos com fé na gente do país, embora também deva queixar-me que as telenovelas há muito perderam o frescor, a poesia e a inteligência. Nunca mais Bráulio Pedroso, Dias Gomes ou Gilberto Braga no seu auge. Dancing Days é com certeza um clássico. E por que não remakes de O Rebu ou Bandeira 2. Vê-se chispas de entusiasmo e proeza artística nos textos de Manoel Carlos, na direção de Luiz Fernando Carvalho ou na dramaticidade de jovens atores como Selton Mello, Rubens Caribé ou Rodrigo Santoro. Não são suficientes para marcar uma época. Camila Pitanga não é nem nunca será Sonia Braga, Giovanna Antonelli passa distante da expressividade à Irene Papas de Glória Pires, e Malu Mader poderia levar o título perpétuo de ¿Yoná Magalhães revisitada¿, sendo bem generoso e não querendo macular a star de Eu Compro Essa Mulher. Da TV aberta, só há sensibilidade satisfatória em A Grande Família, Os Normais, na Marília Gabriela um-pouco-cansada-de-guerra e no Metrópolis, da Cultura. Mesmo assim para se ver uma vez ou outra, na casa de amigos viciados em televisão. O Jô, que virou jargão dizer ¿Ele é tão inteligente!¿, é um chato, um superficial, um gabola com o ego do tamanho de sua obesidade. Deixei de assistir seu programa há anos, ao descobri que só ficava sabendo bestices do entrevistado. Vai um pouco mais de três anos que escrevi, para os leitores navegantes do The Brazilian (ou seria da Go?), que nada é mais assustador na arte brazuca que a mediocridade musical, com pagodes, forrós e axés atropelando belezas como Noel Rosa, Villa-Lobos, Pixinguinha, Ary Barroso, Caymmi, Tom Jobim, Chico Buarque, Gilberto Gil ou Djavan. Continuo pasmo com esse samba do crioulo doido. Eu nunca esquecerei do verão passado, dentro de um alternativo (o mesmo que besta) lotado, em Ponta Negra, bairro praieiro da capital do Rio Grande do Norte, quando do nada ouviu-se uma música melosa e desafinada, que narrava uma insípida desilusão amorosa, e uma pobre garotinha de uns dez anos, com cara de fome e lábios carnudos, começou a cantá-la meigamente e logo a seguir todos os passageiros, absolutamente todos, cantaram a música que eu nunca tinha ouvido antes (e felizmente nunca ouvi depois), sem errar uma palavra. Parecia o musical Dançando na Escuridão, acrescentando miséria tropical e um calor escaldante. Só que a voz não era a da Bjork, óbvio. Portanto, no meio de toda essa poluição sonora, essa estupidez musical, essa ignorância coletiva, fica difícil chegar a diversidade de talentos irresistíveis como Zeca Baleiro, Cássia Eller, Lenine, Ná Ozzetti, Bebel Gilberto, Carlinhos Brown, Marisa Monte, Chico Science, Paulinho Moska, O Rappa, Virgínia Rodrigues, Oto ou Daúde. Desde o sucesso de Central do Brasil, que o cinema brasileiro vem melhorando, superando os sofríveis anos 70 e 80, mas com exceção de Sérgio Bianchi, Walter Salles e Andrucha Waddington não há nenhum cineasta acima da média, nenhum novo Joaquim Pedro de Andrade, Luís Sérgio Person, Arnaldo Jabor ou Hector Babenco. Por mais que a mídia tente vender-nos Beto Brandt, não é uma nova linguagem cinematográfica. Prefiro o pessoal de Pernambuco, da Árido Movie, do Baile Perfumado: Lírio Ferreira e Paulo Caldas. Nomes como o de Carla Camuratti, Roberto Santucci Filho ou Sandra Werneck não devem ser levados a sério. Os radicalmente experimentais? Que eu saiba não há nenhum discípulo de Bressane, nem mesmo o Jorge Furtado. Já o teatro brasileiro sofre de uma única e terrível enfermidade, a falta de dramaturgos, e até houve oportunistas como Gerald Thomas que investiram num teatro sem a importância das palavras, como se fosse possível. Talvez por isso coloquemos no céu nomes que não merecem a imortalidade, como os subestimados Nelson Rodrigues e Plínio Marcos. Deveríamos pôr em foco o Oduvaldo Vianna Filho, o autor de Rasga Coração. Mesmo assim, é um teatro benfeitor e com dons poéticos, pontuado por grandes diretores, atores, iluminadores e cenógrafos, de Antunes Filho a Gabriel Villela, de Maria Alice Vergueiro a Renata Sorrah, de Rubens Corrêa a Marco Nannini. Isso desde os anos 50. Sem contar a importância internacional do Festival de Teatro de Curitiba (FTC). A qualidade dos jornais e revistas tem caído barbaramente, mas ainda é possível evitar a imbecilização lendo a Cult, os suplementos Rascunho (do Jornal do Estado, RS) e A Tarde/Cultural (do jornal A Tarde, Ba) , o Caderno 2 do Estado de S. Paulo, a Ilustrada da Folha de S. Paulo, a esnobe Bravo!, uma ou outra Caros Amigos, e a volta meio desencantada do Pasquim, que vale a leitura pela qualidade dos seus ¿meninos¿ mestres do jornalismo: Millôr Fernandes, Sérgio Augusto etc. Na literatura, alguns dos premiados do 44 Prêmio Jabuti merecem realmente honrarias, como os veteranos Manoel de Barros (O Fazedor de Amanhecer), José Paulo Paes (Socráticas) e Haroldo de Campos (tradução da Ilíada de Homero), mas quem são os novos do pedaço? Sem pensar muito lembro do Milton Hatoum, Silviano Santiago e Ivo Barroso, que não são assim tão novinhos. Não me venham falar do artificialismo sem luxo de Marçal Aquino, Patrícia Melo, Tony Bellotto ou Fernanda Young. Vou logo dizendo que sou leitor de Guimarães Rosa, Autran Dourado, Graciliano Ramos, Torquato Neto, Hilda Hilst, Lúcio Cardoso, João Cabral de Mello Neto, Arnaldo Antunes, Antonio Cícero e Ferreira Gullar. Tolero certos excessos da mídia aceitando com reservas Rubem Fonseca, Adélia Prado, Paulo Leminski, Ana Cristina César e Caio Fernando Abreu. Loucura total é a divulgação acelerada de Alexei Bueno como uma super-revelação. Uma pauleira sem graça nenhuma. Ele é tão ruim que dá pena. Os sites culturais estão cheio de pessoas escrevendo e em alguns se encontram facilmente 400 ou 500 delas mostrando seus trabalhos. Não há um boom qualitativo. São meio screenagers, constrangedores, com raros acertos. Virtualmente, acompanho as revistas A Arte da Palavra, Blocos (editada com paixão pela poeta Leila Miccolis), Agulha e Rio Total. Com prazer e reflexão, se lê as tirinhas em quadrinhos vindas dos neurônios atentos de Angeli (Chiclete com Banana), Laerte (Piratas do Tietê), Glauco (Geraldão), Adão Iturnesgarai (Aline) e Fernando Gonsales (Níquel Náusea), que denunciam o processo de idiotia que passamos. Será que eles serão os vultos que imprimirão distinção à nossa abusada nação? Será que levarão-nos ao orgulhoso carnaval da cultura e da civilização? Ah, que responsabilidade bizarra! Não são tempos de novos Glauber, Oiticica, Ziembinsky, Tom Zé, Oswald & Mário, Lina Bo Bardi, Marília Pêra, Maria Fernanda, Caetano, Raul Cortez, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Tivemos os suspiros de Mira Schendel, Leonilson e Luiz Carlos Ripper. Temos Afonso Beato, Mário Cravo Neto, Sebastião Salgado, Miguel Rio Branco e Walter Carvalho. O grupo Corpo, a escultora Carmela Gross e a atriz baiana Rita Assemany. Quem mais faz a arte certa? Por que não se queixam da decadência do ensino, do descaso do governo e da eterna improvisação? Mas o que é a arte certa? Como é possível saber lucidamente se a nossa criação não é uma boa droga? Segundo uma sábia amiga, a escultora catalã Pepa Armenté, não é necessário se preocupar com tal questão, o ideal seria fazer uma arte sincera, do fundo d¿alma, mesmo contra os modismos e correntes da nossa época, e o resto vem com o tempo. Então pergunto: ¿O público que nunca aprendeu a ver além da mercadoria primária, do monopólio da burrice, como chegará a tal arte sem disfarces? ¿. (01 de junho/2002) CooJornal no 261 ________________________________________ Antonio Júnior, escritor, jornalista e fotógrafo. Correspondente internacional antonio_junior2@yahoo.com http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-12.htm postado por: NANDA ROVERE 4:46 PM Jornal O Tempo 18/01/2006 12:01 Sábado, 26 de Novembro de 2005, 21h09 Rodando a baiana com os portugueses Um ciclo constante e natural. Assim Gabriel Villela percebe a abertura de países europeus para criadores brasileiros. Ele, por sua vez, tem conquistado espaço no mercado teatral português. E não está sozinho: na sua equipe, já figuraram mineiros como Babaya, Ernani Maletta, Fernando Muzzi e Daniel Maia, para citar alguns dos brasileiros que foram junto com ele para realizar essa empreitada. ¿Fui no vácuo do Ulisses Cruz¿, conta Villela, lembrando a parceria entre o diretor de ¿Péricles¿ e o grupo português Seiva Trupe, com o qual ele viria a trabalhar. Tudo aconteceu em 2001, quando a cia. portuguesa veio ao Brasil convidar trabalhos a se apresentarem no Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (Fitei) e Villela assinava a direção da trilogia de Chico Buarque, com as peças ¿Ópera do Malandro¿, ¿Saltimbancos¿ e ¿Gota D¿Água¿. ¿Eles ficaram impressionados com essa trilogia brasileira, sendo apresentada no mesmo momento em que enlatados da Broadway começavam a chegar no Brasil. Só esse teor de contestação, em si, os conquistou¿, conta o diretor nascido em Carmo do Rio Claro, que montou cinco peças para o Seiva Trupe, sendo a primeira delas, ¿Saltimbancos¿. Hibridismo Em cartaz com a montagem ¿(Re)Apareceu a Margarida¿, atualmente Gabriel Villela trabalha com o ator e assistente de direção Júnior Sampaio, um brasileiro do sertão de Pernambuco, há anos morando na terrinha. ¿O caso dele é engraçado: nós brasileiros não conseguimos mais vê-lo como tal, por conta do sotaque que ele adquiriu e tudo mais. E os portugueses não o vêem como um deles e, sim, como brasileiro. E, o mais legal, é que ele é mesmo esse ser híbrido¿, conta. ¿Por essa dificuldade, Júnior ainda não tinha se assumido mesmo como ator. Então eu disse: vamos para o palco. Assim nasceu ¿Margarida¿: uma reflexão de como existir brasileiramente em Portugal¿, analisa. O diretor não esconde o que tem a oferecer. ¿O principal é a referência das artes de rua: as procissões religiosas, o circo-teatro, as festas populares, os bonecos e todo o imaginário da cultura popular. No fundo, sinto meu trabalho como um tipo de DNA do passado deles¿, compara. Refletindo sobre a formação do teatro brasileiro e a contribuição de estrangeiros para seu fortalecimento, Villela acredita na circularidade das coisas. ¿Eles poderiam ter um teatro muito melhor do que têm, sem precisar importar talentos, se analisarmos a tradição que possuem. Mas é a lei do universo. Nós estamos aqui por conta do ¿pontapé¿ do Anchieta, que graças a Deus, não tem nada a ver com o Seiva Trupe. Mas é simplesmente o troco: não chego lá como o católico apostólico romano, mas, sim, como macumbeiro. E quanto mais rodamos a baiana, mais fascinados eles ficam. Não se trata de vingança. Ao contrário, é apenas o eterno retorno¿, garante. http://www.otempo.com.br/magazine/lerMateria/?idMateria=19586 Sábado, 26 de Novembro de 2005, 21h08 Teatro tipo exportação SORAYA BELUSI Foto da cena de ¿(Re)Apareceu a margarida¿, espetáculo dirigido por Gabriel Villela, em cartaz em Portugal Um português para dar, literalmente, o pontapé inicial. Um italiano para estabelecer um dos mais importantes grupos teatrais do país. Um polonês, para balançar de vez a estrutura do que se via nos palcos. Anchieta, Franco Zampari, Ziembinski. Três nomes carregados de sotaque, que contribuíram para a formação do teatro brasileiro. Mas a roda continua a girar. Se no início importávamos talentos, agora, chegou a vez de levar nossos criadores para além do território nacional. O teatro brasileiro virou, com a licença da comparação econômica, produto tipo exportação. Três diretores brasileiros têm feito trabalhos sistemáticos no exterior. Se ainda não causaram rupturas definitivas, já deixaram sua marca, criando um vínculo com artistas estabelecidos em outros países. O Magazine conversou com Rodolfo Garcia Vázquez, Márcio Aurélio e Gabriel Villela, que contaram, cada um, sua experiência peculiar. Mas essa via de mão dupla não é fato inédito. O mesmo ciclo já levou Nelson Rodrigues para um contexto polonês, sob a direção de Eduardo Tolentino, do Grupo Tapa, e a ¿Ópera do Malandro¿, em sotaque lusitano, sob a tutela de Roberto Lage, além do ¿Péricles¿, dirigido por Ulisses Cruz, que abriu definitivamente caminho para produções coordenadas por brasileiros em território europeu. Rodolfo Garcia Vázquez, diretor do grupo Os Satyros, desde 1992, sabe bem o que é trabalhar em solo estrangeiro. Primeiramente em Portugal, onde estabeleceu a sede dos Satyros, de 1992 a 1999. No início, só atores brasileiros, mas, com o tempo, artistas moçambicanos, angolanos e portugueses passaram a integrar o elenco dos trabalhos. ¿Saímos do Brasil em uma época que o Collor era presidente e não víamos uma perspectiva de política cultural. Consideramos que foi um tipo de exílio voluntário. Mas enfrentamos muitas dificuldades em Portugal. Era uma relação de amor e ódio¿, conta Vásquez. Na sequência, o diretor foi convidado para coordenar um projeto no InterKunst (Instituto de Arte Internacional), em Berlim, na Alemanha. ¿Trata-se de um projeto com a temática violência e racismo, reunindo artistas de vários países do mundo. E, cada criador leva uma cena pronta e se encontra com outros artistas, quando então fazem um tipo de show de variedades. E o diretor geral (função exercida por Rodolfo) tem que prezar pela qualidade das cenas e fazer adaptações quando necessário¿, explica Rodolfo, que nesta oportunidade trabalhou com atores quenianos, lituanos, russos, palestinos e costarriquenhos. ¿Esse trabalho me deixou muito claro que o teatro não tem uma fórmula. Ele percorre milhares de caminhos e hipóteses. E a verdade cênica pode ser apreendida tanto por um queniano que nunca foi a uma escola de arte, mas aprendeu na experiência de sua comunidade, quanto por um ator que fez um estudo clássico de interpretação¿, analisa. Para o diretor, há alguns elementos que só o teatro brasileiro pode oferecer ao resto do mundo. ¿Justamente por não termos a mesma tradição teatral da Europa, essa é a coisa mais rica que nós podemos oferecer. Foi um grande escândalo a ida do Oficina (do Zé Celso Martinez Corrêa, que levou a série de ¿Os Sertões¿) e, ao mesmo tempo, uma lufada de ar fresco, para a Alemanha. O teatro europeu já tem uma série de fórmulas das quais não consegue escapar para fazer arte. E como nós não temos formas tão elaboradas, nossa criatividade não fica presa a padrões¿, afirma. Artistas brasileiros também empreendem parcerias que começaram em terra tupiniquim e têm continuidade em solo alemão. É o caso do bailarino e coreógrafo Ismael Ivo e do diretor Márcio Aurélio, que formam uma dupla de trabalho reconhecido no país de Goethe. Ainda no início dos anos 2000, Ismael Ivo criou a Cia. de Dança- Teatro, sediada no Teatro Nacional de Weimar. De lá para cá, já montaram ¿O Beijo no Asfalto¿, de Nelson Rodrigues, ¿O Mefisto¿, montagem comemorativa dos 250 anos do Goethe, ¿Babel¿, a partir de aspectos do universo de Jorge Luis Borges e, também ¿Tristão e Isolda¿, a partir do mito e da obra de Wagner, com participação de Márcia Haydée. ¿Antes de mais nada, o objetivo do projeto é o que importa. Mas toda a nossa cultura serve de parâmetros para entender e pensar a arte e a sociedade européia, por outra perspectiva. É uma cultura que dialoga com a deles desde o Descobrimento: o Anchieta trabalhou com os índios, nosso barroco, que não é um privilégio das Minas Gerais, está diretamente ligado ao europeu. Para falar sobre o mito do Fausto na ocasião que a gente fez ¿O Mefisto¿, a partir da cultura brasileira temos possibilidades de conexão seja em Guimarães Rosa, seja pela idéia da carnavalização, do diabo na Quarta-feira de Cinzas. São essas aproximações com outras culturas que possibilitam uma renovação do olhar¿, compara o diretor. Segundo ele, a idéia de fazer uma retórica toda organizada, européia, entra numa batedeira e ganha outro sabor com o tempero brasileiro. ¿ Essas comportas são abertas e estão proporcionando pontes e links para podermos falar do nosso mundo. Independente das fronteiras...¿. postado por: NANDA ROVERE 4:38 PM Quinta-feira, 10 de Novembro de 2005 Gabriel Villela inventa a Margarida portuguesa O Estado de SP Encenador mineiro revê o texto clássico de Roberto Athayde em espetáculo que estréia hoje em Lisboa http://txt.estado.com.br/editorias/2005/11/10/cad002.html Livia Deodato A Margarida reapareceu. Desta vez, em Portugal. A emblemática peça do período da ditadura militar brasileira, escrita por Roberto Athayde, vai estrear hoje, às 21h30, no teatro da companhia teatral A Barraca, em Lisboa, sob direção de Gabriel Villela. O histórico teatro é administrado pela consagrada atriz portuguesa Maria do Céu Guerra, que atuou na peça O Pranto de Maria Parda. Apareceu a Margarida foi estrelada, pela primeira vez, por Marília Pêra, em 1973, com a direção de Aderbal Freire-Filho. Mesmo contando a história de uma professora megera que exaltava a direita - uma crítica às avessas aos militares - , volta e meia a censura baixava normas e cortava regalias. Era uma semana em cartaz, outras duas com a bilheteria lacrada. Marília Pêra, na época, não chegou a encerrar a temporada por um problema de saúde. Villela acredita que o monólogo, e scrito há mais de 30 anos , continua atual. "Infelizmente, o espetáculo apresenta a percepção de mundo que ainda temos hoje, o nascimento de forças totalitárias e maniqueístas." O discurso da professora Margarida que, a princípio, entra na sala de aula para lecionar Biologia, torna-se vazio e a conduz a atitudes repressivas. O convite para a apresentação do espetáculo surgiu através de Villela, que há dois anos vem estabelecendo uma relação de intercâmbio cultural com as trupes lusas. A companhia teatral portuguesa Entretanto pôde levar o diretor brasileiro para Portugal graças a uma parceria feita com A Barraca. A encenação fica a cargo do ator pernambucano e cidadão português, pois mora em Portugal há 10 anos, Júnior Sampaio. O espetáculo foi renomeado como Re Apareceu a Margarida para lembrar os portugueses da primeira apresentação do texto de Athayde na terrinha, há cerca de 10 anos. "Os portugueses são muito formais. Quis fazer uma brincadeira. Inclusive, estou amadurecendo a idéia de um projeto teatral que quero fazer no teatro Barraca que já tem, pelo menos, o nome: Chutei o Pau da Barraca. Eles adoraram", conta Villela. Após cinco apresentações em Lisboa, Re Apareceu a Margarida segue para o festival de teatro do Porto e vem para o Recife em janeiro. Gabriel Villela não economiza nos elogios ao dramaturgo Roberto Athayde, que escreveu Apareceu a Margarida aos 21 anos. "O talento literário do Athayde é impressionante. Estou lendo um novo texto dele chamado A Grande Visita, que é sensacional, carrega modernidade e universalidade", conta, sem revelar nenhum tipo de plano para, quem sabe, uma futura montagem. Ele volta ao Brasil já na segunda-feira e vai começar a ensaiar Esperando Godot, de Samuel Beckett, previsto para estrear no fim de janeiro no Sesc Belenzinho. Outra novidade é a reestréia de Fausto Zero - só que agora em palco alemão. A peça estrelada por Walderez de Barros foi convidada para participar do festival de teatro de Berlim, que precederá a Copa do Mundo de 2006. postado por: NANDA ROVERE 4:10 PM Comments: Quarta-feira, Janeiro 18, 2006 O TEATRO DA DELICADEZA ESTAVA NO UOL, MAS COMO ESTOU ASSINANDO OUTRO PROVEDOR RESOLVI COLOCÁ-O AQUI NO BLOGGER COMO SÃO MUITO OS ARQUIVOS COLOCADOS NO UOL NÃO TEREI COMO COLOCÁ-LOS AQUI. SE QUISEREM ACESSEM www.oteatrodadelicadeza.zip.net PARA VEREM MENSAGENS ANTERIORES Não poderia deixar de colocar, no entanto, uma homenagem que eu fiz ao Gabriel no ínício do Teatro da Delicadeza Fiquei muito feliz quando ele leu um texto sobre Pólvora e Poesia e comentou: [gabriel villela] Querida Nanda Você falou lindo sobre pólvora e poesia, sempre generosa. Valeu Gabriel Villela 08/04/2005 14:06 Engraçado, sempre falei da minha admiração pelo diretor, cenógrafo e figurinista GABRIEL VILLELA, mas nunca falei sobre a trajetória profissional dele. Hoje farei uma homenagem a esse artista, que eu acompanho a carreira desde o início!!! Gabriel (Antonio Gabriel Santana Vilela) é de Carmo do Rio Claro, sul de Minas. É uma das mais fortes expressões do teatro contemporâneo. Através de trabalhos caracterizados pela criatividade, beleza visual, valorização de nossa cultura interiorana, sensibilidade, etc; contribui para a valorização dos artistas brasileiros e da riqueza cultural produzida em nosso país. É parte integrante, portanto, da História de nosso teatro e da cultura nacional. Desde pequeno é apaixonado por circo; quando viu um espetáculo de uma trupe circense que ficou instalada no terreno de seu avô. É um dos responsáveis pela divulgação de uma manifestação cultural maravilhosa, mas que não é respeitada como merece. Ficou encantado pelo teatro, quando aos 17 aos, assistiu aos espetáculos Gota D'Água (com Bibi Ferreira) e Torre de Babel (com Ruth Escobar). Começou como ator amador, dirigindo e atuando no grupo de teatro Raízes de Carmo do Rio Claro (criado por ele), onde encenou "Gota d'Ägua" e "Morte e Vida Severina", etc. Em 1983, veio para São Paulo cursar Artes Cênicas, direção na USP. O seu primeiro sucesso profissional foi "Você Vai Ver o Que Você Vai Ver" (89) com os atores Rosi Campos, Gerson de Abreu, entre outros. Depois veio "O Concílio do Amor", "Ligações Perigosas" e "Vem Buscar-me Que Ainda Sou Teu", com Xuxa Lopes, Laura Cardoso e Claudio Fontana no elenco. Naquele momento, o talento de Gabriel já era reconhecido pelo público e pela crítica, pois já havia recebido vários prêmios. Em 1991, montou "A Vida é Sonho" com Regina Duarte, um interessante texto de Calderón de La Barca. Foi em 1992, com o seu encontro com o Grupo Galpão, que Gabriel dirigiu um dos seus espetáculos mais emocionantes e criativos: "Romeu e Julieta". "Romeu e Julieta" foi um momento mágico da criação artística e continua a encantar platéias de todo o mundo com o seu belíssimo cenário (os atores representam sobre pernas de pau e em cima de um automóvel veraneio), músicas, figurinos, direção e interpretação dos atores. O Gabriel e o Grupo Galpão inovaram ao adaptar a tragédia de Shakespeare para o interior de Minas Gerais, numa linguagem inspirada na poesia literária de Guimarães Rosa (Barão em Revista). Comparo essa montagem de Romeu e Julieta à música Beatriz de Chico Buarque: as duas obras são geniais pelo lirismo, beleza e emoção! Em 1994, dirigiu outro brilhante espetáculo do Grupo Galpão: "A Rua da Amargura -14 Passos sobre A Vida de Jesus". Em mais de 14 anos de carreira profissional, Gabriel dirigiu 26 espetáculos, 5 shows e inúmeros eventos culturais. Escolher os meus espetáculos favoritos é muito difícil, mas "Romeu e Julieta", "A Rua da Amargura", "O Mambembe", "Ventania", "Ópera do Malandro", "Os Saltimbancos", "Gota D'Ägua" e "A Ponte e a Água de Piscina" são montagens que me agradaram bastante.
Foto publicada no jornal Expresso Carmelitano quando recebeu o título de "cidadão carmelitano do século na área teatral" Depois que conheci o Gabriel comecei a prestar mais atenção nos artistas e na cultura brasileira! A terra natal do Gabriel está tão presente nos trabalhos dele que eu pensei: poxa, se o Gabriel faz coisas tão geniais, tendo como "pano de fundo" toda a herança de Carmo do Rio Claro, a cultura interiorana deve ser maravilhosa! E descobri que é! A valorização que ele dá ao nosso país, à nossa cultura popular e interiorana e, principalmente, à sua terra natal contribuíram para eu perceber a importância da manutenção e preservação da riquíssima cultura brasileira. Sempre digo que sou a fã número um desse diretor, pois o seu trabalho prima pela sensibilidade, criatividade e cuidado na elaboração dos elementos cênicos. O que eu mais acho interessante no seu trabalho é que ele repete muitos elementos nos seus espetáculos (porta, malas, sombrinhas, desenho de figurino, etc), mas em cada espetáculo esses elementos ganham vida nova, novas funções cênicas e novo encanto! A sua direcão é tão cuidados, tão cheia de detalhes, que é chamada de "Barroca". Na verdade, na maioria dos seus espetáculos ele utiliza o estilo circense, a interpretação não-realista (a qual tende para o melodrama e para o humor tragicômico, que muitas vezes beira o ridículo). As suas montagens encantam pela criatividade e envolvem o espectador pela sua beleza plástica e riqueza de detalhes. Mesmo quem não aprecia o seu trabalho, não pode deixar de concordar que um dos grandes méritos do seu trabalho é contar com uma equipe de profissionais de muita qualidade, a qual colabora em suas produções há bastante tempo. Certamente um dos momentos mais importantes da sua carreira, foi a apresentação do espetáculo "Romeu e Julieta" no Shakespeare's Globe em Londres (teatro onde Shakespeare apresentava as suas montagens). Outro momento marcante, foi a sua viagem para Portugal no final de 2002/início de 2003 para dirigir o grupo de teatro Seiva Trupe. Eu sempre gostei de teatro, mas depois de conhecer os seus trabalhos, eu percebi que um espetáculo teatral para ser bom não precisar contar com atores famosos! Através do Gabriel eu tive a oportunidade de conhecer pessoas e artistas maravilhosos. Citar o nome de todos é impossível, mas entre eles estão: Leonardo Diniz, Nábia Villela, Anthonio, Claudio Fontana, Nábia Villela, Fernando Muzzi, Babaya,Daniel Maia,Vera Mancini, Marcelo Varzea, Alcides Nogueira, Alex Maia,Leopoldo Pacheco,Grupo Galpão, Grupo Os Fofos Encenam (Edu Reyes, Fernando Neves...), Cleide Queiróz, André Dias, Marcello Boffa, Maria do Carmo Soares, Zezé Barbosa, Sérgio Rufino, Parlapatões, Umberto Magnani, Eriberto Leão, Xuxa Lopes e Rosi Campos. Também descobri a beleza da voz e força dramática da Maria Bethânia e o talento de Cássia Eller (há algum tempo coloquei no blog um texto que ele escreveu sobre ela). Não sei de onde vem a minha paixão pelo teatro (espero que seja do meu bisavô), mas sei que o teatro mudou a minha vida. Ter conhecido o trabalho do Gabriel, mudou a minha visão sobre a arte! Não conhecia o valor do circo, do interior do Brasil, ainda não tinha visto nenhum espetáculo pautado pela poesia...não conhecia a importância da elaboração de um cenário, figurino, trilha sonora, etc, num espetáculo. Ele, através dos seus espetáculos, me mostrou o valor de tudo isso!!! Tem uma frase do Alcides que eu gosto muito porque eu penso exatamene o mesmo sobre as criações do Gabriel: "...artista genial que, com sua sensibilidade, inventa magias e deixa minha alma mais leve." Do dramaturgo Alcides Nogueira, autor dos espetáculos "Ventania", "A Ponte e a Água de Piscina", "Pólvora e Poesia", entre muitos outros. Programa do espetáculo "A Ponte e a Água de Piscina". Um passeio muito legal: Em 2000, estava na região de Carmo do Rio Claro e, claro, passei na cidade. Que gracinha de lugar! A cidade é famosa pelo seus doces e artesanato feito em tear manual. Tive a sorte de conhecer os pais do Gabriel, que simpatia! Estava passando por uma rua da cidade e parei na frente de uma casa que eu achei que já havia visto em algum lugar, em alguma reportagem... O pai do Gabriel percebeu que eu estava olhando para a casa e perguntou se eu estava procurando alguém. Eu perguntei se era a casa dos pais do Gabriele ele disse que era o pai dele! Eu disse que eu admirava muito o Gabriele ele já foi me convidando pra entrar, me chamando pra ver fotos do filho, oferecendo café! Falou que oGabrielchegaria no dia seguinte e iria pro sítio. Disse que se eu estivesse por lá ainda, eu poderia ir visitá-lo...Como o povo mineiro é hospitaleiro! Foi um grande prazer conhecer os pais e um dos irmãos do Gabriel! Depois passei na cidade de Alpinópolis, mais conhecida como Ventania (o Alcides escreveu um texto em homenagem ao dramaturgo Zé Vicente - que nasceu nessa cidade - e o Gabriel montou. Ventania foi um espetáculo que me emocionou demais e eu não poderia deixar de passar numa cidade tão encantadora! Depois desse belo passeio, tive a oportunidade de falar com o Gabriel, mas não contei isso pra ele... Ora, ele poderia me achar um pouco "xereta" demais! --------------------------------------------------------------- Espetáculos: Você vai ver o que você vai ver - 1989 O Concílio do Amor - 1989 Relações Perigosas - 1990 Vem buscar-me que ainda sou teu - 1990 A Vida é Sonho - 1991 Romeu e Julieta - 1992 Gianni Scchichi - 1992 (Ópera) A Guerra Santa - 1993 A Rua da Amargura - 1994 A Falecida - 1994 Torre de Babel - 1995 Mary Stuart - 1996 O Mambembe - 1996 O Sonho (atores baianos. A estréia foi no Teatro Castro Alves em Salvador) - 1996 Ventania - 1996 A Aurora da Minha Vida - 1997 Morte e Vida Severina - 1997 A Vida é Sonho 1998 Alma de Todos os Tempos - 1999 Replay - 2000 Ópera do Malandro - 2000 Os Saltimbancos - 2001 Gota D'Ägua - 2001 Sonho de Uma Noite de Verão (espetáculo com a Cia de dança de Minas Gerais) - 2002 A Ponte e a Água de Piscina - 2002 Os Saltimbancos (Portugal) - 2003 Quarteto/ Relações Perigosas (Portugal) - 2003 Auto da Liberdade - Mossoró/RN - 2003 Fausto Zero - 2004 (Re)Apareceu a Margarida - (Portugal) -2005 Foi diretor artístico dos teatros Glória (RJ) e TBC (SP). Shows: Maria Bethânia - 1994 Milton Nascimento (LINDO, EMOCIONANTE) - 1997 Ivete Sangalo - 1998 Grupo Tambolelê - 2002 Elba Ramalho - 2002 Cenografia - em espetáculos que não dirigiu (não sei se citarei todos os trabalhos) Seis personagens a procura de um autor (direção de Paulo Autran) - 1990 ? O Rei da Vela (Cia dos Atores) - 2000 Cenógrafo e figurinista: O Homem do Caminho (com Claudio Mamberti e direção do Sergio Mamberti) - 2000 Cenógrafo e figurinista: Pólvora e Poesia (direção de Márcio Aurélio) - 2001 TV: A Paixão Segundo Ouro Preto - Adaptação de A Rua da Amargura, assinada por Geraldo Caneiro e Gabriel Villela Direção: Cininha de Paula e Rogério Gomes Com Grupo Galpão TV Globo - 2001 ------------------------------------------------------------------ Coração Materno Vicente Celestino Disse um campônio à sua amada: "Minha idolatrada, diga-me o que quer Por ti vou matar, vou roubar, embora tristezas me causes mulher Provar quero eu que te quero, venero teus olhos, teu porte, teu ser Mas diga, tua ordem espero, por ti não me importa matar ou morrer E ela disse ao campônio, a brincar: "Se é verdade tua louca paixão Parte já e pra mim vá buscar de tua mãe inteiro o coração" a correr o campônio partiu, como um raio na estrada sumiu Sua amada qual louca ficou, a chorar na estrada tombou Chega à choupana o campônio E encontra a mãezinha ajoelhada a rezar Rasga-lhe o peito o demônio Tombando a velhinha aos pés do altar Tira do peito sangrando da velha mãezinha o pobre coração E volta à correr proclamando: "Vitória, vitória, tens minha paixão" Mas em meio da estrada caiu, e na queda uma perna partiu E à distância saltou-lhe da mão sobre a terra o pobre coração Nesse instante uma voz ecoou: "Magoou-se, pobre filho meu? Vem buscar-me filho, aqui estou, vem buscar-me que ainda sou teu!" O texto "Vem buscar-me que ainda sou teu", de Carlos Alberto Soffredini, foi uma homenagem à obra Coração Materno, texto que era encenado nos circos. -------------------------------------------------------- FRASES DE GABRIEL: "Os elementos que me instigam estão dentro da minha cidade, da minha casa, dos rituais da Semana Santa que me fascinavam quando eu era criança". "Tenho muita gratidão pela minha cidade. Não há nada que eu faça na minha carreira que não tenha princípuio, meio e fim no imagináriodo meu povo". "O teatro leva ao sonho, que é o contrário da morte, porque é desejo. Este estado constante de estar sonhando com alguma coisa, sonhar um espetáculo, me deixa muito forte na vida; me arremessa a um estado de poesia que me deixa completamente absorvido. Vivo mais de lenda e poesia do que de história e realidade. A vida é muito chata sem teatro, não consigo viver sem ele". "Todo artista foi um beija-flor em outra vida e a arte tem a função de clarear o mundo. Somos todos como Sherazade, contando histórias pra não morrer". "A arte de representar requer uma atitude quase sacerdotal. Essa arte carece de um comportamento e de um investimento na elaboração da alma dos artistas. Creio ser esta área a mais complicada, porém a mais importante". "A maior força da cultura mineira é o poder de contar histórias. Não interessa o que é da ordem da verdade ou da mentira. Costuma-se dizer que acredita na mentira, não no mentiroso". "A competitividade é natural, mas não podemos transformá-la numa guerra". ------------------------------------------------------------ -------------------------- postado por: NANDA ROVERE 7:10 PM |
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